Textos
Maria de Lourdes Coelho
Maria de Lourdes Coelho
Universidade Federal de Minas Gerais
Email: mlcoelho@fae.ufmg.br
RESUMO
Este trabalho contempla o tema Formação de Profissionais para Educação a Distância, pois busca investigar as causas da evasão e os fatores que contribuem para a permanência de participantes de cursos ofertados na modalidade de Educação a Distância via Internet, a partir de um estudo de caso do Curso de "Tecnologia de Ensino a Distância Via Internet", oferecido pela Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (EE / UFMG), que se constituiu em um curso de formação continuada de docentes universitários. Esta pesquisa faz parte da dissertação de mestrado da autora citada acima, aluna do Programa de Pós-Graduação em Educação / FaE / UFMG, e está em andamento. Portanto, neste trabalho estão a introdução, a justificativa da escolha do objeto, algumas suposições referentes ao objeto, os objetivos da pesquisa, as delimitações do problema, a proposta metodológica com o relato do andamento da pesquisa e a referência bibliográfica. Palavras-chave: Educação a Distância, Formação continuada de Professores, Novas Tecnologias de Comunicação e Informação, Ensino Superior e Evasão escolar
INTRODUÇÃO
Esta pesquisa propõe-se a investigar as causas da evasão e os fatores que contribuem para a permanência de participantes de cursos ofertados na modalidade de Educação a Distância (EAD) via Internet, a partir de um estudo de caso do Curso de "Tecnologia de Ensino a Distância Via Internet", oferecido pela Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (EE / UFMG), que se constituiu em um curso de formação continuada de docentes universitários. Participaram dele 55 professores de diversas Escolas de Engenharia de Minas Gerais filiadas à Coalizão Minas de Escolas de Engenharia que solicitou e patrocinou a realização do mesmo. O Curso foi organizado por um professor do Departamento de Engenharia Elétrica e outro do Departamento de Engenharia Eletrônica, ambos da UFMG, e contou com a colaboração de um graduando do primeiro departamento citado.
O Curso de "Tecnologia de Ensino a Distância Via Internet", de caráter experimental, foi criado "de um dia para o outro", atendendo aos anseios dos professores em usar a modalidade de Educação a Distância, como relatou um dos organizadores do curso, em conversa informal. O objetivo proposto foi atingido por aproximadamente 50% dos participantes que o concluíram. A falta de motivação e de disciplina para gerenciar o tempo de estudo com autonomia, de acordo com esse professor, contribuiu para a desistência de alguns participantes ao longo do Curso. Atendendo a novos pedidos, o mesmo poderá ser repetido, em um segundo momento, exclusivamente para professores da UFMG. Foi usado o ambiente "TopClass", um servidor de cursos para a Internet que oferece grandes possibilidades de interação, e o Curso utilizou de todos os serviços nele disponíveis. Foram arquivadas todas as mensagens enviadas e recebidas pelos alunos e organizadores do curso. Esse arquivo está sendo usado como uma das fontes de dados para analisar as dificuldades encontradas no percurso e a forma de interação que perdurou ao longo do Curso. Para dar continuidade à coleta de dados, a lista de endereços eletrônicos dos inscritos, concluintes ou não, foi disponibilizada pelos organizadores do Curso, o que possibilitou a aplicação de questionários via e-mail (correio eletrônico). Ao longo da análise do material coletado foi realizada uma entrevista com um dos organizadores do Curso e este reforçou o interesse pelos resultados desta pesquisa, para que se possa refletir sobre as questões referentes à Educação, visando à melhoria no atendimento e na participação dos alunos, pois, sendo ele e os demais organizadores da área de exatas, faltam-lhes subsídios para tal.
1.1.A escolha do objeto de pesquisa
A escolha do Curso de "Educação a Distância Via Internet", oferecido pela EE / UFMG, como foco desta proposta de estudo de caso, se deve a várias razões. Primeiro, porque o principal propósito desta pesquisa é investigar as causas da evasão em cursos de formação continuada de professores na modalidade de EAD via Internet semelhante à formatação deste Curso. Segundo, porque é um Curso que surgiu da solicitação dos professores interessados em utilizar esta modalidade de educação, após conhecerem as experiências bem sucedidas do Núcleo de Educação a Distância da EE/UFMG. Portanto, não foi um Curso oferecido a curiosos ou imposto a um grupo qualquer.
Por último, o Curso apresentou condições ideais para uma comunicação interativa: o ambiente de rede usado ofereceu recursos variados; não houve falhas no funcionamento dos equipamentos; durante o Curso foram enviadas mensagens de incentivo e de chamamento aos ausentes; os esclarecimentos e as respostas às dúvidas apresentadas foram dados a contento. No entanto, apesar das condições favoráveis ao funcionamento deste Curso, o índice de evasão, como já foi dito, foi de aproximadamente 50%.
1.2.Suposições referentes ao objeto da pesquisa
A EAD ganhou novo cenário na década de 90 com o surgimento e popularização da Internet, atualmente considerada como um recurso eficaz para a necessária continuidade de aprendizagem e trocas de conhecimento entre os docentes do ensino superior. O investimento que vem sendo feito pela UFMG em equipamentos, laboratórios, preparo de pessoal como a formação continuada de professores, demonstra a preocupação desta Universidade para com o assunto e aponta a necessidade de investimento em pesquisas visando à melhor adequação e otimização dos recursos humanos e tecnológicos.
Nesta perspectiva, fizemos o seguinte questionamento:
• Em um contexto em que a EAD é de maior importância, tendo ganhado espaço nas leis, nas mídias e no meio universitário, porque então os altos índices de evasão?
• As formas de utilização dos recursos tecnológicos têm favorecido a interatividade entre participantes e coordenadores dos cursos?
Considerando a evasão como um fator freqüente em cursos a distância, a prática tem apontado que o êxito depende de programas bem definidos, material didático adequado, professores capacitados e conjugação de meios apropriados a facilitar a interatividade, em conformidade com a realidade dos alunos a serem atendidos. Além destes elementos, somam-se o diagnóstico das necessidades individuais e regionais e a avaliação do curso durante e após a sua realização. A análise destes fatores torna-se necessária para a diminuição dos desperdícios de recursos, podendo ser preventivo para a redução do índice de evasão que tem contribuído para o descrédito da EAD.
As nossas práticas e vivências enquanto profissional e aluna de cursos a distância e as leituras de relatos de outras experiências, levaram-me às seguintes suposições quanto à evasão em cursos a distância, via Internet:
• A falta da tradicional relação face-a-face entre professor e alunos, pois neste tipo de relacionamento julga-se haver maior interação e respostas afetivas entre os envolvidos no processo educacional;
• Insuficiente domínio técnico do uso do computador, principalmente da Internet, ou seja, a inabilidade em lidar com as novas tecnologias cria dificuldades em acompanhar as atividades propostas pelos cursos a distância como: receber e enviar e-mail, participar de chats, de grupos de discussão, fazer links sugeridos, etc;
• Ausência de reciprocidade da comunicação, ou seja, dificuldades em expor idéias numa comunicação escrita a distância, inviabilizando a interatividade;
• A falta de um agrupamento de pessoas numa instituição física, construída socialmente e destinada muitas vezes, à transmissão de saberes, assim como ocorre no ensino presencial tradicional, faz com que o aluno de EAD não se sinta incluído num sistema educacional.
Ao investigar as causas da desistência no Curso de "Tecnologia de Educação a Distância Via Internet", esta pesquisa busca confirmar ou não as suposições supracitadas e ainda encontrar outras pistas que poderão ser consideradas na organização de outros cursos de formação continuada de professores via Internet, visando a um melhor aproveitamento e à elevação do número de pessoas concluintes do curso.
2. OBJETIVOS DA PESQUISA
Esta pesquisa tem como objetivo geral identificar as causas da evasão bem como os fatores que favorecem a permanência dos participantes em cursos oferecidos na modalidade de Educação a Distância, via Internet, a partir de um estudo de caso do Curso de "Tecnologia de Ensino a Distância Via Internet" promovido pelo Núcleo de Educação a distância da Escola de Engenharia Elétrica da UFMG, oferecido a professores de Escolas de Engenharia membros da Coalizão Minas de Escolas de Engenharia.
Os objetivos específicos deste trabalho são:
• Buscar subsídios para o planejamento de cursos promotores da modalidade de EAD, de acordo com os interesses dos professores da UFMG;
• Discutir possibilidades e limites da educação a distância, via Internet, como oportunidade de formação continuada do professor universitário;
• Verificar os possíveis vínculos da evasão com os aspectos da estrutura metodológica e a dinâmica da interatividade em cursos a distância via Internet.
3. DELIMITAÇÃO DO PROBLEMA
O emprego de novas tecnologias educacionais e o preparo do professor para incluí-las tanto no ensino presencial quanto a distância ou em ambos combinados, constituem-se em temas a serem investigados para a socialização e as intervenções na prática pedagógica. Conforme Lampert (1997), pesquisas na área de formação continuada do professor universitário são necessárias, pois a bibliografia brasileira prioriza o professor da educação básica e os estudos estrangeiros divergem entre diferentes países, nem sempre servem de parâmetro e não são totalmente condizentes com a realidade do Brasil. Especificamente na área da educação a distância e formação continuada do professor, a investigação científica se faz urgente devido à premência em acompanhar os cursos que se proliferam nesta modalidade de educação: urge capacitar o professor universitário, teórica e tecnicamente, no uso das tecnologias da comunicação e da informação, devido às várias mudanças surgidas no atual contexto sócio-político, econômico e cultural no âmbito mundial.
Segundo Candau (1996), os projetos de implantação de novas tecnologias na educação, em grande parte, são realizados por pessoas de formação tecnológica e não pedagógica. Como exemplo, a equipe de coordenadores do Curso de "Tecnologia de Ensino a Distância Via Internet", escolhido como campo para esta pesquisa, é composta por professores e um estudante da área das ciências exatas. Como a proposta do curso foi capacitar os participantes a construir cursos a distância, não contou com uma reflexão sobre a EAD e suas implicações. Para Candau (1996, p.17),
"é necessário que tais projetos sejam pensados, e, pelo menos na fase de planejamento, contem com a participação de educadores com uma formação atualizada e cientificamente bem preparada que atuariam também na esfera das decisões. Importante é colocar a tecnologia a serviço da educação, mas partindo de uma concepção plenamente educacional".
Em outro trabalho, Candau (1997, p. 55) comenta sobre os investimentos das universidades em convênios com Secretarias de Educação para a formação continuada de professores em serviço, e questiona:
"Que concepção de formação continuada está presente nesta perspectiva? (...)Por trás desta visão considerada ÎclássicaÌ não está ainda muito presente uma concepção dicotômica entre teoria e prática, entre os que produzem conhecimento e o estão continuamente atualizando e os agentes sociais responsáveis pela socialização destes conhecimentos?"
A EAD, nos dias atuais, ganhou novo destaque e está crescendo como tema de debates em seminários e encontros de educadores, no meio acadêmico, devido à necessidade de extrapolar os muros da universidade, atendendo a um maior contingente de excluídos desta. Isto poderá promover grandes benefícios sociais se não se limitar a uma mudança quantitativa, mas também qualitativa, através de programas e pessoal preparados técnica e pedagogicamente para a utilização das novas tecnologias educacionais.
Acrescente utilização da Internet, construindo novos espaços de ensino e aprendizagem no âmbito universitário, justifica sobejamente esta pesquisa, neste momento de mudanças advindas do processo de globalização da economia e as conseqüentes intervenções no sistema educacional.
Com esta pesquisa, buscaremos conhecer alguns indicadores das causas e situações mais freqüentes em que ocorrem a evasão. Investigaremos também os fatores que colaboram para a permanência dos participantes nos cursos a distância, em especial, nos cursos de capacitação de professores. A partir de um estudo de caso, considerando as possibilidades conferidas pela lei vigente e os recursos tecnológicos disponíveis para a efetivação da Educação a Distância, esperamos cobrir uma lacuna na literatura com elementos teóricos e práticos para esta temática, carente de investimento por parte dos pesquisadores.
Serão tomadas como base de apoio teórico para as questões centrais de análise desta pesquisa as obras do filósofo contemporâneo Pierre Lévy (1996 e 1999), referentes aos seguintes termos: aprendizagem em rede, inteligência coletiva, ciberespaço, interatividade e a nova relação com o saber. Inevitavelmente outros autores serão consultados para as questões referentes à formação do professor reflexivo, crítico e criativo, que busca constante aprendizado e reflexão sobre suas ações e o emprego das novas tecnologias na Educação, de acordo com o paradigma educacional emergente defendido por Morais (1996, p. 65):
"Não haverá espaço para o professor que trabalha numa abordagem pedagógica tradicional, que enfatiza a transmissão, a cópia de cópia, onde conteúdos e informações são passados diretamente do professor para o aluno, mediante um processo reprodutivo. (...) O modelo de formação de professores, de acordo com o novo referencial, pressupõe continuidade, visão do processo, não buscando um produto completamente acabado e pronto, mas um movimento permanente de "vir a ser".
4. PROCEDIMENTO METODOLÓGICO
Esta pesquisa, de cunho qualitativo, está sendo desenvolvida através de um estudo de caso, devido à singularidade do que nos propomos investigar. Entende-se por estudo de caso, como o "estudo profundo e exaustivo de um ou poucos objetos de maneira que permita seu amplo e detalhado conhecimento" (Gil, 1988, p. 45). Para L¸dke (1998), o caso, seja ele simples ou complexo e abstrato, é sempre bem delimitado, devendo ter seus contornos claramente definidos no desenrolar do estudo, podendo ser similar a outro, mas é distinto por ter interesse próprio. Portanto, tomaremos como unidade de estudo o "Curso de "Tecnologia de Educação a Distância via Internet", promovido pelo Núcleo de Educação a Distância da Escola de Engenharia Elétrica / UFMG, visando à conhecer as causas da evasão e os fatores que contribuem para a permanência em cursos desta natureza e suas possíveis relações com a interatividade entre professores e alunos, localizados em espaços e tempos distintos.
A partir das experiências vividas em EAD foi possível levantar algumas suposições básicas acerca das causas da evasão nos cursos na modalidade de EAD, descritas na parte introdutória deste trabalho. Esta investigação procurou aprofundar a compreensão destas causas tendo como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema visando torná-lo mais explícito. Pela própria natureza do objeto da pesquisa, outras suposições podem surgir durante o percurso deste trabalho e procuramos nos manter constantemente atentos a novos elementos, adequando os instrumentos metodológicos às eventualidades que se fizerem presentes.
4.1. O referencial teórico
Considerando que "a complexidade do estudo de caso está determinada pelo suporte teórico que serve de orientação ao pesquisador" (L¸dke, 1998, p. 134), buscamos complementá-lo ao longo da pesquisa para bem fundamentá-la. Procuramos mapear a literatura nacional existente relacionada com o tema e algumas indicações de literatura estrangeira, principalmente as que trazem relatos de experiências. Além desta fonte continuamos a analisar os textos oficiais que regulamentam o estabelecimento da EAD, principalmente os que se referem à capacitação de professores. Como este tema tem recebido especial atenção da mídia nos últimos anos, tendo-se tornado assunto relevante em seminários educacionais, procuramos assistir e analisar os conteúdos das palestras, bem como ler as publicações surgidas durante o desenrolar desta pesquisa.
4.2. A escolhas dos instrumentos e a coleta de dados
A busca de informações sobre o Curso de "Tecnologia de Educação a Distância via Internet", iniciada informalmente através de trocas de mensagens eletrônicas (e-mails) e de uma entrevista livre com um dos organizadores do mesmo, teve continuidade com a utilização de uma entrevista semi-estruturada, a qual, depois de transcrita e analisada, permitiu conhecer melhor o desenho do Curso, as dificuldades encontradas e as estratégias utilizadas para a motivação dos participantes. De posse dos dados sobre o Curso em análise, buscamos outras informações utilizando o arquivo das mensagens enviadas e recebidas pelos participantes e organizadores durante os dois meses e meio de realização do mesmo.
A escolha da entrevista semi-estruturada para formalizar o início da coleta de dados deve-se a, de acordo com TriviÇos (1987, p.146), ser este um dos principais recursos que o investigador pode utiliza-se como técnica de coleta de informação:
"Podemos entender por entrevista semi-estruturada, em geral, aquela que parte de certos questionamentos básicos, apoiados em teorias e hipóteses, que interessam à pesquisa, e que, em seguida, oferecem amplo campo de interrogativas, fruto de novas hipóteses que vão surgindo à medida que se recebem as respostas do informante. Desta maneira, o informante, seguindo espontaneamente a linha de seu pensamento e de suas experiências dentro do foco principal colocado pelo investigador, começa a participar da elaboração do conteúdo da pesquisa".
Para prosseguir a investigação, elaboramos um questionário semi-aberto, que foi o primeiro instrumento para a coleta de dados junto aos participantes do curso, sujeitos desta pesquisa. A elaboração do questionário implicou o desenvolvimento de uma página web, para facilitar o preenchimento e a devolução do mesmo, já que foi enviado para os participantes por e-mail, numa linguagem familiar a eles, utilizada pelo Curso em análise, ou seja o HTML (Hiper Text Transfer Protocol). O questionário foi exaustivamente testado para que não ocorressem falhas tecnológicas e para eliminar dúvidas quanto aos objetivos pretendidos com as perguntas. Para tanto, foi aplicado, experimentalmente a 6 voluntários. São eles: um professor de Literatura e de Língua Portuguesa; dois pedagogos; um técnico de informática; um estudante do Curso de Pedagogia e uma pesquisadora que cursa o doutorado e está investigando sobre o uso das novas tecnologias na Educação. Os ajustes necessários foram feitos e, como se constatou que, em determinados computadores o questionário em HTML foi recebido de forma inteligível, optamos em disponibilizá-lo também em WORD (linguagem normalmente usada na produção de textos utilizada pela maioria dos computadores disponíveis no mercado atualmente), seguindo anexado às mensagens enviadas, permitindo a opção de escolha, de acordo com a possibilidade do equipamento tecnológico de cada participante.
Este primeiro questionário buscou desvendar os seguintes tópicos:
• Dados de identificação: sexo, idade, estado civil, formação, instituições de ensino superior onde leciona, função exercida e tempo de exercício no cargo, e carga horária semanal de trabalho;
• Dados referentes ao curso: expectativas e motivos da inscrição, contribuição recebidas para a prática docente, atividades que mais contribuíram para a prática docente e dificuldades encontradas, forma de participação e forma escolhida para fazer as leituras do Curso, ou seja, leituras na tela ou no material impresso;
• Motivos da desistência ou fatores que contribuíram para a permanência.
O questionário foi composto de questões de múltipla escolha seguidas de espaço com indicação para o participante justificar a resposta, e no último tópico, enumerar, por ordem de importância, os motivos da desistência ou fatores que contribuíram para a permanência no Curso.
O questionário foi enviado a todos os 55 inscritos no curso, concluintes ou não, através do meio de comunicação usado durante a realização do Curso, ou seja, o correio eletrônico (e-mail). Os endereços eletrônicos cedidos pela coordenação do Curso permitiram o envio da mensagem a todos ao mesmo tempo, através de uma lista produzida para tal. A mudança ou desativação de alguns endereços impossibilitou o recebimento por todos, pois a mensagem de oito participantes retornou.
Para garantir o recebimento da mensagem pelo maior número de sujeitos, foram feitas algumas ligações telefônicas, a fim de atualizar os endereços eletrônicos. Em alguns casos pedimos a colaboração dos participantes para fazer chegar a mensagem até o seu colega, ou seja, outro participante pertencente à mesma instituição, com quem não conseguimos nos conectar.
Os participantes eram provenientes de oito instituições de ensino, sendo assim distribuídos: 11 participantes da Universidade Federal de Minas Gerais; 5 da Universidade Federal de Uberlândia; 7 da Escola Federal de Engenharia de Itajubá; 6 da Fundação Universidade de São João Del Rey, 2 da Faculdade de Agrimensura de Minas Gerais; 6 do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais; 6 da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais; 5 da Universidade Estadual de Minas Gerais de Passos; 5 da Universidade Federal de Juiz de Fora; 1 do Instituto Católico de Minas Gerais e 1 da Universidade Federal de Ouro Preto.
O envio do questionário foi feito no dia 12 de setembro de 2000, num horário próximo das 18 horas e, surpreendentemente, até às 21 horas do dia seguinte, 17 questionários já haviam sido respondidos e enviados, via Internet. Conferimos a eficiência deste instrumento de coleta de dados em pesquisa, ou seja, aplicação de questionários, especialmente para professores universitários com experiências prévias no uso da Internet, como é o caso dos sujeitos desta pesquisa. Atribuímos a agilidade de tempo em reenviar o questionário preenchido por grande parte dos participantes desta pesquisa, à experiência prévia adquirida ou melhorada na realização do Curso. Ao final de uma semana da aplicação do questionário conferimos o recebimento de 24 questionários, totalizando 37 após o período de um mês. Os últimos questionários recebidos foram enviados após o pedido feito por telefonemas e mensagens eletrônicas.
De um modo geral, os sujeitos desta pesquisa não tiveram dificuldades em preencher e nos devolver o questionário. A maioria utilizou o questionário em html devido à facilidade que o mesmo ofereceu, pois, depois de respondido, era só teclar em um botão especialmente destinado para enviar a mensagem, que assim, seguia automaticamente para o destinatário. Para resguardar a privacidade do remetente, o mesmo não era identificado, pois a mensagem não chegava com o endereço de quem havia remetido o questionário. Desta forma, identificávamo-los apenas pelo sexo e pela instituição de origem. Ao contrário, os participantes que, por opção ou por motivos técnicos, remeteram o questionário em WORD tiveram revelado os seus endereços eletrônicos e, conseqüentemente os seus nomes, pois o envio da mensagem foi feito via e-mail e não pela página WEB. Estes últimos, ao receberem o questionário em anexo, tiveram que salvá-lo no computador de seu uso, para depois preenchê-lo e reenviá-lo anexado em outro e-mail.
Os 37 questionários recebidos foram devidamente apurados, tabulados e analisados. Coincidentemente quase a metade (18) dos que o responderam compõem o quadro dos concluintes do Curso e pertencem ao sexo masculino. Entre os 19 restantes, 9 eram mulheres. Quanto à causa da evasão, verificamos que a grande maioria das respostas revelava a "falta de tempo" como um dos fatores determinantes da desistência. Os demais dados serão analisados em um capítulo especialmente reservado para isto, mas estamos antecipando tais informações para justificar a aplicação de novos questionários a grupos distintos de participantes.
Instigados com os resultados deste primeiro questionário, elaboramos outros para grupos distintos de participantes: um só para as mulheres, outro para os homens concluintes e não-concluinte do Curso. Semelhante à experiência anterior e apesar da época de férias, pois estes questionários foram enviados no mês de janeiro, as respostas chegaram em tempo hábil. As respostas de algumas professoras incitaram-nos a elaborar outras questões e novas mensagens foram enviadas e respondidas com brevidade e atenção. Ao verificar a lista dos aprovados, deparamo-nos com o fato de que apenas uma mulher tinha concluído o Curso e que a mesma não havia respondido ao primeiro questionário. Enviamos uma mensagem especialmente para ela, solicitando o preenchimento do primeiro questionário, pois ela havia se tornado uma pessoa especial para a nossa análise.
Devido à pontualidade com que recebemos as respostas dos questionários aplicados através do correio eletrônico, não sentimos necessidade de utilizar outro instrumento de coleta de dados. Reservamos a entrevista semi-estruturada para um dos organizadores do Curso e esta foi gravada, transcrita e analisada. Com este mesmo professor foram trocados vários e-mails e telefonemas durante a coleta de dados, e tivemos a colaboração do mesmo durante toda a pesquisa, disponibilizando materiais e informações, sempre que solicitávamos. O mesmo remeteu-nos uma senha para que pudéssemos "entrar" no Curso através da Internet. Como o Curso já havia sido retirado da rede, este professor providenciou a reativação do mesmo para que se tornasse fonte de dados desta pesquisa. Desta forma, foram possíveis a leitura e análise do material do Curso, assim como do ambiente de rede utilizado (TopClass).
Entre os materiais disponíveis no TopClass encontramos as mensagens em off line trocadas pelos participantes entre si e destes com a equipe de organizadores nos fóruns de discussão, durante o Curso. Optamos por imprimir todo este material para facilitar a leitura e para a retenção das informações, considerando que o site estaria disponibilizado por tempo limitado. Todo este material serviu para nos familiarizarmos com o conteúdo, a forma de comunicação e as características dos participantes do Curso.
Os dados colhidos estão sendo tratados estatisticamente e qualitativamente e buscaremos relacioná-los com as suposições levantadas e as teorias referidas no corpo do trabalho e outras que vierem a auxiliar-nos na análise das causas da evasão e dos fatores que contribuem para a permanência dos participantes nos cursos, via Internet, de formação continuada de professores universitários.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
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______. Formação Continuada de Professores: tendências atuais. In: Candau (org.) Magistério: construção cotidiana. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997. p 51 a 68.
GIL, A C. Como elaborar projetos de pesquisa. Atlas, São Paulo, 1988. p.45 a 61.
LAMPERT, Ernani. O professor universitário e a tecnologia. Tecnologia Educacional,v.29 (146) Jul/Ago/Set,1999.
______ . Professor universitário: Formação inicial e continuada. Revista Roteiro, Joaçava, v.XX, número 37, Jan/Jun.1997. p29-49.
LÉVY, Pierre. A inteligência Coletiva. Por uma antropologia do ciberispaço. São Paulo, Loyola, 1998.
______. Cibercultura. São Paulo, Ed. 34, 1999.
LÜDKE, Menga & ANDRÉ, Marli E. D. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. Col. Temas Básicos de Educação e Ensino, EPU, São Paulo 1998.
TRIVIÑOS, Augusto N. S. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Athas, 1987. p. 116 a 175.

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