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Textos

Considerações Teórico-metodológicas para Elaboração e Realização de Cursos Virtuais
Fábia Magali Santos Vieira



 

Fábia Magali Santos Vieira *
Unimontes Virtual - Departamento de Ciência da Computação - Unimontes
Email: fabia@connect.com.br




(Texto para download: Formato Word (.DOC)

RESUMO


Com o rápido crescimento da educação à distância mediada pelas tecnologias da Informação e Comunicação, as instituições vêm, cada vez mais, utilizando esta modalidade de ensino como meio para democratizar o acesso ao conhecimento e expandir oportunidades de aprendizagem ao longo da vida. Assim, torna-se necessário levantar algumas considerações a respeito dos princípios teóricos e metodológicos que devem orientar a elaboração e a realização de cursos à distância, via Internet, e o papel do professor nesta modalidade de ensino.



Abstract


With the quick growth of distance education mediated by Information and Communication Technologies, institutions have been gradually using this modality of education as a means to access knowledge and expand opportunities of learning along life and make them accessible to everybody. Thus, there is the need of taking some considerations towards respect of theoretical and methodological principles that have to guide the elaboration and accomplishment of distance courses through Internet and the role of the teacher in this modality of teaching.
Palavras-chave: educação virtual, cursos on-line, indicadores metodológicos Keywords: virtual learning, on-line courses, methodological

 

 

1. INTRODUÇÃO

 

As atuais possibilidades das novas Tecnologias da Informação e da Comunicação incentivam o rápido crescimento da educação à distância como uma modalidade de ensino que permite aproximar o saber do aprendiz, levando em conta os limites individuais, as distâncias espacial, temporal, tecnológica, psicossocial e sócio-econômica, e promovendo sua interação com os indivíduos de seu meio ambiente. O aprendiz, então, pode aprender no seu contexto imediato, planejar, no tempo e no espaço, suas atividades de estudo e seguir o seu ritmo de aprendizagem.


U
m sistema de educação à distância mediado pela Internet envolve diversos componentes como, aprendizagem, ensino, comunicação, desenho e gerenciamento, além de toda parte editorial. Assim, os cursos virtuais têm que ser caracterizados por um planejamento adequado e pelo estabelecimento claro da forma de operacionalizar o processo através da mídia.


P
ara KNOX (2001:1), em uma "aula virtual" existem dois elementos essenciais: um web site (ambiente) e algumas ferramentas de discussão, onde a maior parte do ensino aprendizagem ocorrem". Assim o ambiente de aprendizagem no qual os cursos virtuais são disponibilizados deve valorizar a habilidade de humanizar ou personalizar a aula, fugindo da idéia de que um autômato ou robô seria capaz de substituir a figura indispensável do professor. Nesta perspectiva, torna-se necessário discutir o papel do professor em um sistema de educação à distância mediada pela Internet e os princípios metodológicos para elaboração e realização de cursos para esta modalidade de ensino.

 

A formação de professores virtuais, segundo Adell, se assenta sobre três núcleos de conhecimento teórico-práticos:


1) Em primeiro lugar, sobre os conteúdos do curso, incluindo materiais e recursos pertinentes para a aprendizagem
(não é possível tutorizar a aprendizagem de nenhum aluno sem um bom conhecimento dos conteúdos do curso, do material de referência e dos recursos e facilidades disponíveis para o ensino e aprendizagem).

2) Em segundo lugar, sobre o meio em que se desenvolve a comunicação didática, o contexto comunicativo em que se desenvolve a formação, isto é, sobre a comunicação mediada pelo computador.

3) Em terceiro lugar, sobre a teoria e a prática de ensino à distância (funções, objetivos, métodos, estratégias, avaliação, tutorização, etc.) e o ensino de adultos ( sobre as características psicológicas e motivacionais dos aprendizes) (ADELL,1999:8)

 

Esperamos que a discussão desses aspectos básicos para a elaboração de um curso virtual possa contribuir para a definição do papel dos professores na educação virtual como tutor e mediador em um contexto tecnológico em que a comunicação é mediada pelo computador.

 

2. A Auto-Instrução

 

Em um sistema de educação à distância, o material de aprendizado, os meios tecnológicos, o currículo e os conteúdos são projetados e produzidos levando-se em conta, desde o começo, a realidade da separação física entre aluno e professor, bem como a natureza adulta do primeiro. Como conseqüência, um curso de educação à distância virtual deve ter características intrínsecas de ser auto-instrutivo, isto é, "deve ser acessível ao estudo individual sem o apoio de um professor. Pode ser completo ou pode ser um guia para o estudo de textos determinados ou sugeridos" (Holmberg apud TRINDADE, 1992: 10).

 

A diferença significativa entre auto-instrução e instrução convencional é que enquanto para a primeira, o material de aprendizado é especialmente projetado e produzido como fonte maior de aprendizado para o grupo de indivíduos definido como população alvo, para a última, o aprendizado baseia-se em um material preexistente que pode, ou não ser utilizado por professores e por alunos. Segundo Rowntree, citado por Trindade,

 

a auto-instrução depende de material especialmente escrito ou, pelo menos, especialmente selecionado e modificado ‚ tendo-se em mente os objetivos particulares do curso. Além do mais, eles deverão ser estruturados de tal modo que os aprendizes possam fazer a maior parte de seu aprendizado, senão todo, apenas a partir do material do curso. Esse material deve conter todas as funções que um professor desempenharia em uma situação convencional ‚ guiar, motivar, interessar, expor, explicar, provocar, relembrar, fazer perguntas, discutir respostas alternativas, elogiar o progresso do aluno, proporcionar o reforço apropriado ou ajuda enriquecedora e assim por diante (Rowntree apud TRINDADE, 1992:10).

 

3. O Ensino Individualizado

 

Entende-se por ensino individualizado, o processo de ajustar o ensino às necessidades e interesses do aluno. Um programa individualizado não necessita ser diferente para cada pessoa, mas sim, estar apropriado a cada aluno, deste modo um programa instrucional deve:

 


a) permitir que o aluno inicie o seu estudo no ponto em que o interrompeu, isto é, que não necessite repetir estudos de conteúdos que já domina. No ensino tradicional, o aluno prossegue em sua aprendizagem juntamente com sua turma; no ensino individualizado, o aluno aprende de acordo com seu ritmo, ou seja, utiliza o tempo de que necessita para aprender;

b) levar em conta o preparo do aluno para a realização das tarefas, isto é, verificar antecipadamente se ele possui os pré-requisitos necessários ao bom desempenho de cada atividade;


c) considerar as diferenças individuais. Alguns alunos aprendem melhor quando ouvem, outros quando lêem, outros quando trabalham em pequenos grupos, outros quando realizam trabalho individual; uns aprendem mais rápido do que outros.

 

Este processo baseia-se na idéia de que não há "uma melhor maneira de aprender" para todos os alunos, e sim, que há "melhores maneiras" para cada aluno.

 

O ensino individualizado é um meio eficiente do aluno alcançar os objetivos da aprendizagem e de se preparar para tornar-se um estudante independente. No ensino tradicional, o professor tenta fazer com que todos os alunos alcancem os objetivos da aprendizagem já elaborados, levando em conta as necessidades da classe como um todo. No ensino individualizado, o professor diagnostica o nível de aprendizagem da cada aluno, ou seja, verifica o que ele sabe e o que lhe falta aprender, indicando as atividades que melhor atendam às suas necessidades e interesses.

Esse esquema de trabalho escolar permite ao aluno tornar-se, futuramente, um estudante que não dependerá do professor para dizer-lhe o que fazer após o término de cada tarefa.

 

Como conseqüência do atendimento às diferenças individuais dos alunos, às suas necessidades e interesses e de prepará-los para se tornarem estudantes independentes, o objetivo final do ensino individualizado é promover o desenvolvimento de um autoconceito positivo em cada aluno, isto é, fazer, com que cada um se sinta bem consigo mesmo.


 

4. Os Princípios da Instrução Personalizada

 

É essencial nos programas de educação à distância virtuais, que o aluno desenvolva autonomia de estudo, aprendendo a aprender, haja vista, a utilização prioritária de técnicas de ensino individualizado .

 

A elaboração do material auto-instrucional e o desenvolvimento das habilidades dos programas de educação à distância devem se fundamentar nos seguintes princípios da instrução personalizada:


 

a) pequenos passos ‚ as pessoas devem vencer uma etapa antes de passarem à etapa seguinte;

b) ritmo próprio ‚ as pessoas têm ritmos diferentes de aprendizagem, umas aprendem mais depressa e outras mais lentamente;

c) aprender fazendo ‚ as pessoas aprendem melhor aplicando os conteúdos em situações concretas, novas, verossímeis.

 

 

5. O Material Instrucional

 

O material instrucional é um processo de planejamento global do trabalho que o professor pretende realizar, é como desenvolver a aula por escrito, como pretende desenvolver o processo ensino-aprendizagem.

 

Na educação à distância é essencial o uso de material auto-instrucional preparado de acordo com princípios de instrução personalizada, de forma a possibilitar:


 

a) atendimento ao ritmo próprio de aprendizagem do aluno;
b) disponibilizar o conteúdo através de pequenos passos;
c) estudo de acordo com a disponibilidade de tempo e local;
d) auto-avaliação contínua do progresso nos estudos;
e) elaboração de plano individualizado de estudo, considerando as necessidades pessoais;
f) oportunidade de aplicação imediata do aprendizado;
g) desenvolvimento da autonomia de pensamento e ação;
h) realização de estudos sem interferir nas atividades profissionais e pessoais.

 

Muitos são os aspectos que devem ser considerados na hora de planejar o material instrucional de um curso virtual, pois muitos fatores podem influir no êxito desta modalidade de educação, vejamos alguns deles:

 

5.1 Motivação dos participantes:

 

Estatísticas demonstram que muitos alunos se matriculam em cursos virtuais sem conhecer o conteúdo e sem expectativas em relação ao curso, por isto se o curso não apresentar o conteúdo de uma forma motivadora, interessante, objetiva e não contar com o acompanhamento sistemático do professor e tutores, o aluno tende a abandonar. Portanto, torna-se imprescindível que o professor se converta em um verdadeiro animador, apresentando o curso de uma maneira lúdica, criativa e propiciando a interação contínua entre todos os envolvidos. Para tanto é necessário que o professor utilize todos os recursos de interação possível, Fórum de Discussão, CHATS, Lista de Discussão, para que os participantes troquem idéias, estabeleçam relações. Além deste aspecto é necessário tornar a interface do curso agradável, atrativa.

 

5.2 Atendimento individualizado:

 

Levando em consideração que quanto mais intensivo for o curso, mais trabalho os alunos terão em cada aula, quanto mais extensivo mais dias de conexão, compete ao professor tornar as atividades flexíveis de forma que os alunos possam realizar suas atividades de acordo com seu ritmo e sua disponibilidade.

 

Para atender as particularidades de cada aluno, o professor deverá dedicar-se bastante à tutorização - isto supõe maior esforço e dedicação que um curso presencial, uma vez que o tempo de dedicação em um curso virtual se multiplica segundo o número de participantes. Isto se deve ao fato de que o que se pode resolver em um curso presencial com um comentário geral de dois minutos ou um revisão de um trabalho individual no momento de realização, em um curso virtual este processo é muito mais custoso. O professor deve ler todas as intervenções com atenção e fazer um comentário personalizado para cada aluno, além de animar o grupo e fazer sugestões para todos.

 

Os comentários devem ser elaborados e reflexivos, devem ser redigidos com cuidado, no tempo hábil e publicados no local previamente definido.

 

Se em um curso presencial é indispensável a atenção individualizada aos alunos, em um curso virtual a disponibilidade do professor deve ser permanente, a qualquer hora e todos os dias. Isto permitirá um acompanhamento personalizado das tarefas e necessidades dos alunos, como uma intervenção no momento necessário e adequado.

 

5.3. Comunicação virtual

 

A comunicação virtual é mediada pelo computador, na modalidade escrita, muitos alunos, além de terem dificuldade em se expressar através da escrita, possuem dificuldade em utilizar o computador, pois o mundo virtual implica em um estilo reflexivo de expressão e pensamento que inibe e coíbe as pessoas não habituadas a este modo de comunicação. Isto pode influir muito na resolução de dúvidas e interação entre os participantes. Assim torna-se necessário que professores e tutores fiquem atentos a tais dificuldades e procurem de uma maneira informal, objetiva, clara e direta estimular a participação dos alunos. Para tanto podem propor encontros presenciais informais para entrosamento do grupo, a realização de CHATís, somente com o grupo envolvido no curso, a discussão de um tema de interesse no Fórum, enfim, criar um espaço em que os participantes possam adquirir mais autonomia e criar seus próprios códigos de comunicação e relação afetiva.

 

5.4. Material Didático X Interação:

 

Para tornar os cursos virtuais mais dinâmicos e ajustados às necessidades dos alunos, estes não devem ser centrados nos materiais didáticos e sim na interação entre professores e alunos. O papel do professor se centra fundamentalmente na dinamização do grupo, em assumir funções de organização das atividades, de motivação e criação de um clima agradável de aprendizagem, um mediador que proporciona experiências para auto-aprendizagem e a construção do conhecimento. A idéia é que, após a leitura dos textos, os participantes possam ser capazes de analisar, comparar, discutir, transformar a informação em conhecimento, expressando sua opinião sobre o tema discutido.

 

6. Desenho de um Curso Virtual

 

Este processo envolve o desenho do programa, a elaboração e a validação do mesmo.

 

6.1. Desenho do Programa:

 

A elaboração das aulas deve ser iniciada após a programação cuidadosa do curso, de forma a :

 

a) adequar o conteúdo à metodologia;
b) realizar a integração horizontal, vertical e transversal dos conteúdos;
c) contemplar os conteúdos essenciais ao curso;
d) evitar repetições desnecessárias de conteúdos;

 

Ao delinear o programa, deve-se definir se o curso vai ser desenvolvido totalmente à distância, com ou sem acompanhamento do tutor. É importante ressaltar que nos cursos à distância o aluno tende a sair do foco e o papel do tutor consiste em trazê-lo de volta.

 

O planejamento do curso deve ser iniciado com uma caracterização cuidadosa da clientela e do objetivo do programa. Esses dois elementos são essenciais para delimitar os conteúdos a serem trabalhados, as atitudes e habilidades esperadas do aluno e a metodologia do curso.

 

6.1.1. Caracterização da clientela:

 

Para realizar a caracterização do público-alvo, o professor deve levar em consideração:

 

a) nível de escolaridade;
b) perfil profissional;
c) experiências relacionadas aos objetivos do programa;
d) disponibilidade de tempo para estudo;
e) hábitos de leitura.

 

6.1.2. Objetivo do programa:

 

É preciso identificar as expectativas do público-alvo e depois estabelecer claramente o que se pretende com o programa:

 

a) habilitar um profissional em exercício da função;
b) habilitar pessoas que não exercem a função;
c) capacitar profissionais em exercício;
d) reciclar profissionais;
e) requalificar um profissional para uma função semelhante ou distinta, etc.

 

Os objetivos do programa expressam o profissional que se deseja formar.

 

6.1.3. A definição dos conteúdos do programa ou curso

 

Ao definir a programação do curso é importante considerar:

 

a) conhecimentos, atitudes e habilidades essenciais ao aluno; b) interdisciplinaridade.

 

6.1.4. A elaboração da metodologia

 

É importante estabelecer a metodologia do curso e de uso do material, conforme as alternativas que se seguem:

 

a) curso totalmente à distância;
b) momentos presenciais ‚ aulas ou oficinas pedagógicas;
c) tutoria;
d) monitoria cooperativa;
e) sistemática de avaliação da aprendizagem;
f) associação com outros recursos, etc.

 

6.2. Elaboração do instrumento de estudos autônomo

 

O estudo autônomo tem como objetivo orientar o aluno para a realização de seus estudos e atividades. Este instrumento pode ter diversos formatos. Os componentes mais comuns desse tipo de material são:

 

6.2.1. Atividade de apresentação;
6.2.2. Apresentação do curso;
6.2.3. Roteiro de estudos;
6.2.4. Cronograma das aulas;
6.2.5. Desenvolvimento das aulas:


 

a) objetivos;
b) provocação inicial;
c) atividade de reflexão;
d) atividades de análise crítico individual;
e) debate;
f) atividades de enriquecimento;
g) auto-avaliação;
h) bibliografia.

 

6.2.1. Atividades de apresentação:

 

Esta atividade tem como objetivo quebrar o gelo inicial e promover a interação entre todos os envolvidos. Inicialmente o professor faz sua apresentação, expondo de forma clara, precisa e objetiva suas experiências, seus objetivos e suas expectativas em relação ao curso e, ao mesmo tempo, incentiva os alunos a se apresentarem através do Fórum de discussão.

 

6.2.2. Apresentação do curso

 

Aparece sempre no início do curso. Apresenta o curso ou disciplina e pode ter um caráter informativo e/ou estimulador para o aluno. Normalmente deve conter: nome do curso, equipe docente responsável, objetivos, número ideal de horas que o aluno deve dedicar-se para realizar o curso, período que vai estar disponível na Internet, princípios pedagógicos, conteúdo, metodologia, critérios e instrumentos de avaliação, bibliografia, preços e condições de pagamento, características mínimas que o equipamento do aluno deve ter, modos de interação e de comunicação oferecidos para contato com o professor orientador ou tutor.

 

6.2.3. Roteiro de estudos

 

O roteiro de estudos tem como finalidade orientar o aluno a respeito dos procedimentos de estudo do curso: como estudar, como realizar os exercícios e verificar o próprio progresso, como fazer a auto-avaliação, como aplicar os conteúdos, etc. São comuns nos roteiros de estudo indicações a respeito de pré-requisitos. O roteiro de estudos deve vir somente no início do curso.

 

6.2.4 Cronograma das aulas

 

Apresentação dos tópicos a serem desenvolvidos em cada aula, em forma de uma tabela.

 

6.2.5 Desenvolvimento das Aulas

 

a) Objetivos

 

Cada aula deve trazer claramente quais são os objetivos propostos para que o aluno saiba o que se espera dele e possa ir monitorando o seu progresso.

 

Eles podem ser apresentados em conjunto antes do início dos textos, ou separadamente por unidade ou texto.

 

b) Provocação inicial:

 

Tem a finalidade de iniciar o estudo com uma provocação para dar início a uma conversa. Pode ser colocada no início da aula, unidade ou texto visando dar oportunidade ao aluno de refletir a respeito dos conhecimentos e/ou sentimentos prévios sobre o assunto.

 

A provocação inicial pode ser feita por meio de um poema, uma charge, um caso concreto, uma letra de música, um pequeno texto técnico, perguntas sobre o assunto, um jogo, um diálogo, etc.

 

c) Atividade de reflexão:

 

O professor propõe a leitura de textos que discutam as questões abordadas naquela aula. Os textos podem ser dos próprios professores e/ou de outros autores. Caso o professor opte pela utilização de textos de outros autores deverá levar em consideração as orientações da Associação Brasileira de Direitos Reprográficos

 

Na elaboração dos textos é importante observar aspectos relacionados à seleção e organização dos conteúdos e à linguagem.

 

Ao selecionar os conteúdos é importante verificar se são úteis, significativos e válidos para aquela clientela.

 

Para a apresentação do conteúdo, Knox chama a atenção para o design. Segundo o autor,

 

Um documento não deve ser maior do que três telas, pois além deste tamanho as pessoas tendem a perder o interesse.Outro fator importante é a linearidade, evitando a presença de links externos dentro de uma aula do curso. Este é um importante componente pedagógico da Web, pois oferece ao aluno uma idéia clara das fronteiras do trabalho. Um site cheio de hiperlinks viola essa expectativa, pois na prática isso implica em um número desconhecido de material a ser lido. Os links externos podem ser colocados em uma página separada (KNOX, 2001:2).

 

Após selecionar os conteúdos é importante organizá-los considerando que devem ser apresentados em unidades de forma a atender ao princípio dos pequenos passos da instrução personalizada.

 

É aconselhável dividir a unidade ou textos em pequenas quantidades e produzir o texto com uma linguagem diferente, coloquial, dialógica (uma conversa do professor com o aluno ). É importante que se trabalhe pensando em um aluno real, lançando perguntas, deixando em aberto, possibilitando a reflexão.

 

Os conteúdos podem ser organizados de acordo com critérios tais como:

 

• Critérios axiológicos ‚ relacionam-se aos valores, envolvem a busca de significação da aprendizagem e assimilação de valores, a preocupação com o significado existente por trás de cada aprendizagem e a ênfase nos valores sociais, culturais e humanos.
• Critérios científico-tecnológicos ‚ envolvem a busca de conhecimentos atualizados e válidos e a preocupação em relacionar os conhecimentos às atividades profissionais do aluno.
• Critérios históricos ‚ dizem respeito à preocupação com a dimensão histórica dos seres humanos, considerando a pessoa no seu contexto, aqui e agora, paralelamente à preservação das tradições.
• Critérios lógicos ‚ envolvem a identificação dos princípios básicos do conteúdo, a sua ordenação de seqüência natural, a seleção de informações, elaboração de princípios e conceitos e a transferência da aprendizagem.
• Critérios metodológicos ‚ referem-se à busca de métodos e técnicas adequados aos conteúdos e aos pré-requisitos.
• Critérios psicológicos ‚ consideram a natureza da aprendizagem e do conhecimento, a relação com as aprendizagens anteriores, as características de aprendizagem do aluno e a decisão entre a aplicação imediata ou futura do conhecimento.
• Critérios sociopolítico-culturais ‚ levam em consideração as características da comunidade, seus problemas, suas condições, suas potencialidades, etc.

 

Na redação do texto devem ser observados aspectos tais como:

 

• Nível de linguagem dos alunos e o nível de informação;
• Linguagem coloquial de forma que o aluno sinta que o professor está falando com ele. O professor dirige-se ao aluno, faz perguntas, propõe reflexões, estimula a prosseguir no estudo, a aplicar os conhecimentos, etc. Aconselha-se o uso da terceira pessoa ao dirigir-se ao aluno, como por exemplo: pense nisto, como você vê isso na prática? e colocar exemplos;
• Circunlóquio didático, isto é, repetir uma informação mais técnica com uma linguagem mais próxima do aluno, "trocar em miúdos", repetir a informação mais de uma vez, fazer com que a informação chegue de outra maneira;
• Linguagem clara, objetiva, na ordem direta;
• Encadeamento dos assuntos;
• Uso de esquemas, gráficos e ilustrações que possam tornar as idéias mais claras;
• Uso de exemplos de forma a tornar a aprendizagem mais concreta. É importante observar a maneira de utilizar o exemplo. O exemplo pode ser utilizado após uma explicação para comprová-la (método dedutivo). Nesse caso é importante propiciar ao aluno a oportunidade de relacionar a explicação ao exemplo. A outra forma de utilizar o exemplo seria para extrair dele os dados da explicação ( método indutivo). Nesse caso é importante organizar os dados até chegar à generalização. Uso de recursos de ênfase para destacar idéias importantes.

 

Knox, outras observações devem ser consideradas para que o objetivo da aula seja alcançado:

 

- Todas as páginas devem Ter os mesmos elementos de layout.
- O texto da aula deve ficar no topo. Colocar numeração de página (página x de y)
- Se a página possui mais que três parágrafos, deve-se colocar sub títulos para quebrar o texto
(KNOX, 2001:3).

 

O autor afirma ainda que consistência da aula em focar a atenção dos alunos para um tópico particular ajuda a criar uma comunidade de aprendizes

 

d) atividades de análise crítico-individual:

 

Nesta etapa os alunos deverão elaborar uma análise reflexivo sobre o texto, apontando suas dúvidas e opiniões sobre o texto e/ou realizar exercícios de aplicação, através de uma instrução personalizada.

 

A instrução personalizada tem como um de seus princípios básicos aprender fazendo, razão pela qual os exercícios devem merecer um cuidado especial. O professor deverá variar as questões para o aluno não cansar. Os exercícios podem ser utilizados com as seguintes finalidades:

 

• Fixar conteúdos;
• Fazer a revisão de seqüências de aprendizagem;
• Aplicar os conteúdos em situações concretas;
• Estender os conteúdos aprendidos para as novas situações;
• Propiciar ao aluno oportunidade de refletir a respeito da própria prática, etc.

 

O professor propicia ao aluno a oportunidade de realizar trabalho prático de aplicação e extensão dos conteúdos por meio de estudos de caso, resolução de problemas, demonstrações práticas, produção de textos, questões de reflexão sobre a própria prática, etc.

 

As atividades serão enviadas para o professor que deverá registar no local previamente definido, seus comentários sobre o trabalho realizado, fazer sugestões, enfim dar um feedback ao aluno.

 

e) debate:

 

Esta etapa tem como objetivo estabelecer uma interação e troca de idéias entre todos os envolvidos no curso, professores, alunos, tutores, convidados. Para tanto os alunos devem ser incentivados a registrar suas opiniões no Fórum de Discussão, na Lista de Discussão. Outra sugestão é a realização de CHATS , uma opção de interação on-line.

 

f) atividades de enriquecimento

 

Este é um recurso interessante que visa propiciar aos alunos a oportunidade de rever os conteúdos em que teve maior dificuldade, enriquecer sua aprendizagem, aprofundar temas de interesse, etc.

 

Podem ser utilizadas atividades tais como: leitura de textos complementares, análise de filmes, construção de modelos, bibliografias comentadas de autores citados no texto, etc.

 

As atividades de enriquecimento podem ser indicadas ao longo do texto, ao final da unidade ou da aula. Os comentários poderão ser registrados no Fórum, na Lista de discussão ou em um CHAT marcado para este fim.

 

g) auto-avaliação

 

É comum propor ao aluno que faça uma auto-avaliação ao término da aula, visando verificar se alcançou efetivamente os objetivos propostos.

 

A auto-avaliação pode ser feita por meio de um teste objetivo, de uma orientação para que o aluno analise se alcançou os objetivos propostos.

 

h) bibliografia

 

Cada aula deve trazer a bibliografia utilizada e/ou indicada. As transcrições de outros autores devem ser indicadas. Em se tratando da Internet, os professores devem ter cuidado em relação aos direitos autorais, a digitalização de textos, figuras, produções de outros autores para serem disponibilizados devem seguir as normas da ....

 

6.3. Avaliação

 

Definir com clareza como avaliar a aprendizagem do aluno é importante para a construção dos instrumentos de avaliação. Essa definição está intimamente relacionada aos objetivos propostos.

 

A verificação de aprendizagem é um recurso que possibilita ao professor verificar e acompanhar a aprendizagem dos alunos e deverá ser planejada para que o aluno responda e envie ao tutor para analisar e corrigir.

 

A avaliação pode ser feita por meio de testes, estudos de caso, solução de problemas, atividades práticas observadas pelo tutor, etc.

 

No caso de avaliação em situações práticas, por meio de observação, é importante definir os aspectos que serão observados e comunicá-los ao aluno previamente.

 

A avaliação poderá ser realizada ao final de cada aula, de uma unidade, ou do curso, segundo os critérios estabelecidos.

 

7. Conclusões:

 

As considerações apresentadas neste texto sobre o papel do professor e sobre os princípios metodológicos para elaboração e realização de cursos virtuais nos faz reconhecer que o processo de organização de um curso virtual deve priorizar primeiro o pedagógico e depois o tecnológico. É claro que os avanços tecnológicos contribuem para a utilização dos mais variados recursos didáticos. Mas, estes recursos didáticos, sozinhos, não podem transformar a educação em uma sociedade em transição, é necessário que os professores assumam novos papéis e redimensionem suas práticas. Portanto, a tecnologia deve se colocar a serviço da didática - o desenho do ambiente de aprendizagem deve ser pensado a partir dos princípios pedagógicos da educação à distância.

 

Para Knox (2001:4)",

 

criar um curso virtual é criar uma comunidade entre pessoas que nunca irão se ver. A falta de uma sala presencial cria alguns desafios especiais mas também cria algumas oportunidades especiais. Qualquer pessoas que já tenha participado de lista de discussões sabe que comunidades realmente florescem na net. As pessoas formam laços extremamente rápido e o e-mail tem uma intimidade particular não encontrada em uma sala de cadeiras e mesas (Id.Ibidem:4).

 

Assim é importante frisar mais uma vez que o professor ao planejar um curso virtual deve: trabalhar a auto-estima do aluno; dar o feedback constantemente, pois o aluno necessita do feedback; criar situações para o aluno desenvolver a criatividade; a tutoria deve fazer um estudo de caso das dificuldades dos aluno e orientá-lo, porque diante de uma dificuldade o aluno tende a abandonar. Um curso virtual para atingir seus reais objetivos deve promover a comunicação, a cooperação, a responsabilidade e a autonomia como valores não só da educação virtual mas da educação como um todo.

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

 

ADELL, J. El Professor Online: Elementos para la Definición de un Nuevo Rol Docente. EDUTEC, 99.
Disponível em: <http://www.edutec.com.br>. Acesso em: 02/03/00

 

BERGO, Heliane Mari. Processo De Desenvolvimento Do Material Impresso. In: Seminário Internacional de Educação à Distância, 1999, Belo Horizonte: Oficina de Material Impresso. Brasília: Ceteb, 1999.

 

TRINDADE, Armando Rocha. Distance Education For Europe. 2.ed. Lisboa: Universidade Aberta, 1992.

 

VIEIRA, Fábia Magali S. A Produção de Material Impresso para EAD. Montes Claros. Texto Digitado:1999.

 

KNOX, E. L. Skip. A Pedagogia do Projeto de Web Sites: Relato de uma Experiência. Boletim EAD ‚ Unicamp/ Centro de Computação Número 7/15/03/01
Disponível em: <http://www.ead.unicamp.br> . Acesso em: 14/03/01

 

* Mestre em Ciências da Educação pelo ISPHJV, Havana, Cuba, mestranda em Tecnologia na Educação, UNB, Professora de Informática Aplicada à Educação e Didática, coordenadora do projeto Unimontes Virtual / Universidade Estadual de Montes Claros - Unimontes

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