Textos
Leda Bezerra da Silva e Edgard Bruno Cornachione Jr
Educação a Distância e seu Emprego no Ensino Contábil no Brasil
Leda Bezerra da Silva
Universidade de São Paulo. Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade
Email: ledasil@usp.br
Edgard Bruno Cornachione Jr
Universidade de São Paulo. Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade
Email: edgardbc@usp.br
(Texto para download: Formato Word (.DOC))
RESUMO
A globalização e o desenvolvimento da tecnologia estão proporcionando a evolução da Educação a Distância (EAD) em grande parte do mundo. Diversos países, independente do seu estado de desenvolvimento econômico, estão utilizando esta forma de transmitir conhecimento.
No Brasil, as iniciativas para implantação da EAD ainda são pequenas comparadas aos outros países que já desenvolvem esta prática. Este artigo possui a finalidade de contribuir para o emprego eficiente e em maior número da Educação a Distância no Brasil, abordando assuntos relacionados a sua definição, as vantagens e desvantagens de sua adoção, o papel do professor e os meios de comunicação disponíveis na EAD e por fim as experiências nacionais, especificamente no ensino contábil.
Palavras-chave: Educação a Distância, Papel do professor, Meios de comunicação disponíveis, Experiências Nacionais e Ensino Contábil
1. INTRODUÇÃO
O mundo tornou-se globalizado, houve o desenvolvimento da tecnologia, mas mesmo diante destas transformações a situação da educação no Brasil ainda continua precária. A projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indica que o Brasil possui 165.371.493 habitantes, onde a média de anos de estudo das pessoas que têm 10 anos ou mais de idade é 5,7. Quanto ao analfabetismo, das pessoas que possuem 15 anos ou mais de idade, 13,3% são analfabetas.(IBGE:2001)
O ensino superior no Brasil que também enfrenta diversas dificuldades possuía em 1999, segundo dados do Ministério da Educação e Desporto (INEP, 2001), apenas 2.369.945 alunos matriculados, indicando que apenas uma pequena parte da população tem acesso a este grau de ensino.
Observando especificamente a situação no ensino superior contábil nota-se que o quadro existente não é diferente. São apontados como problemas nesta área, a falta de adequação do currículo, a falta de um programa bem definido para a prática contábil, a falta de preparo do corpo docente, a deficiência na metodologia do ensino da Contabilidade e a proliferação das instituições de ensino e órgãos de classe.
A educação a distância (EAD) vem sendo adotada em universidades de diversos países com o objetivo geral de eliminar as barreiras que impedem o acesso à educação, proporcionando ensino de qualidade e oferecendo maiores oportunidades àqueles que por vários motivos não deram prosseguimento aos estudos.
Niskier (1999) acredita que as mudanças aceleradas que vêm ocorrendo no mundo, aliadas ao rápido desenvolvimento das tecnologias de comunicação, reportam a imensa possibilidade que a educação a distância tem de dar resposta aos apelos por mais e melhor educação.
O Brasil não pode ficar alheio a estas transformações que estão acontecendo no mundo e precisa dar também respostas aos apelos da sua população que a cada dia necessita mais de educação.
Acreditando também ser a adoção da educação a distância uma das soluções para aumentar o nível da educação no Brasil, este artigo tem por objetivo expor algumas definições sobre educação a distância, as vantagens e desvantagens de sua adoção, o papel do professor e os meios de comunicação disponíveis nesta forma de educar e experiências nacionais, especificamente no ensino contábil no Brasil, com a utilização da EAD.
2. DEFINIÇÕES, VANTAGENS E DESVANTAGENS DA EAD
O conceito de educação a distância sofreu diversas transformações ao longo dos anos. No Brasil, a EAD chegou a ser definida e regulamentada por lei, decretos e portarias. Através de Dohmem (1967), Landim (1997) e pelo Decreto n† 2.494/98, pode-se ter uma noção da evolução dos conceitos de EAD.
Segundo Dohmem apud Bolzan (1998), a "educação a distância (Ferstudium) é uma forma sistematicamente organizada de auto-estudo onde o aluno se instrui a partir do material de estudo que lhe é apresentado, e onde o acompanhamento e a supervisão do sucesso são levados a cabo por um grupo de professores".
Para Landim apud Bittencourt (1999:17), a EAD pressupõe a combinação de tecnologias convencionais e modernas que possibilitam o estudo individual ou em grupo, nos locais de trabalho ou fora, por meio de métodos de orientação e tutoria à distância, contando com atividades presenciais específicas, como reuniões de grupo para estudo e avaliação.
O Decreto n.† 2.494/98 conceituou a EAD como uma "forma de ensino que possibilita a auto-aprendizagem, com a mediação de recursos didáticos sistematicamente organizados, apresentados em diferentes suportes de informação, utilizados isoladamente ou combinados, e veiculados pelos diversos meios de comunicação". (D.O.U. 28 de abril de 1998).
Os elementos fundamentais presentes nos diversos conceitos existentes sobre ensino a distância refere-se à (Keegan, 1991 apud Bolzan, 1998):
a. separação física entre professor e aluno, que o distingue do presencial;
b. influência da organização educacional (planejamento, sistematização, plano, projeto, organização dirigida, etc.) que a diferencia da educação individual;
c. utilização de meios técnicos de comunicação, usualmente impressos, para unir o professor ao aluno e transmitir os conteúdos educativos;
d. previsão de uma comunicação-diálogo, e da possibilidade de iniciativas de dupla via;
e. possibilidade de encontros ocasionais com propósitos didáticos e de socialização;
f. e participação de uma forma industrializada de educação.
A aplicação prática dos conceitos sobre educação a distância trará vantagens e desvantagens para aqueles que a utilizarem. Algumas vantagens, dentre outras, referem-se ao fato de a EAD:
a. oferecer um contexto de aprendizado tecnologicamente rico;
b. permitir acesso aos alunos a uma grande variedade de mídias, bem como a um grande número de fontes de educação;
c. possibilitar a supressão de distâncias geográficas, econômicas, sociais, culturais e até mesmo psicológicas;
d. permitir trabalhar com uma sala de aula virtual, sem limitações físicas e cronológicas;
e. possibilitar ao aluno organizar o seu tempo de estudo;
f. permitir individualizar o ensino aprendizagem, tendo em vista o interesse e criatividade do aluno;
g. manter um nível aceitável de relação aluno professor, com redução de custos e eficiência do processo;
h. universalizar as oportunidades de aprendizado;
i. facilitar o acesso on-line a informação atualizada;
j. propiciar o intercâmbio intelectual mais dinâmico entre pesquisadores, professores e alunos;
k. oferecer contato entre grupos de diferentes cidades ou países;
l. proporcionar o conforto de poder desenvolver as atividades sem necessidade de deslocamento.
Algumas desvantagens, que podem interferir no êxito de um programa de EAD, estão relacionadas a:
a. conduta dos alunos: os alunos precisam ter disciplina, ser autônomo e independente e querer aprender por conta própria, uma vez que o sucesso do curso depende em grande parte da motivação e disposição do aluno em adquirir conhecimento;
b. investimentos: é necessário para o êxito da EAD, um investimento na preparação de materiais, de cursos e treinamento de professores;
c. incorporação de novos recursos: é necessário que a adoção de novos recursos modifique essencialmente a aprendizagem, para que o aluno possa pensar, refletir e produzir conhecimento.
d. risco: servir de instrumento de dominação;
e. expansão: crescimento desordenado dos credenciamentos das instituições;
f. receio: concessão indiscriminada de diplomas.
3. O PAPEL DO PROFESSOR OS MEIOS DISPONÍVEIS NA EAD
A figura do professor é parte fundamental no aumento da qualidade do ensino. Sua competência científica e pedagógica e suas atitudes em relação ao processo de transformação e assimilação de conhecimentos são fundamentais para um bom desempenho do aluno no processo educacional como um todo.
Ao analisar especificamente a importância do professor universitário, percebe-se que este possui uma carga maior de responsabilidade, pois além de estar ligado à produção de trabalhos científicos, deve procurar desenvolver práticas pedagógicas para utilizar em suas aulas, no sentido de promover a irradiação do conhecimento científico.
O docente que se torna apenas emissor de conhecimentos alheios, sem estar preocupado com a produção do trabalho científico ou com a adoção de novas metodologias, estará contribuindo para formação de profissionais desqualificados e desinteressados pela pesquisa científica. Mas, o professor motivado e criativo, preocupado com a reflexão sobre sua prática, terá conseqüentemente maiores chances de formar alunos motivados, criativos e reflexivos.
Para melhor desenvolver o seu trabalho e ampliar seus conhecimentos, alguns docentes dispõem, dos mais avançados meios de comunicação. Esses meios poderão ser utilizados para que professores ministrem ou participem de aulas presenciais ou a distância.
Há quem não acredite no melhor desempenho do professor diante das novas tecnologias e anuncie a morte deste devido à presença física do computador e também em decorrência de uma falência pedagógica e epistemológica.
Carvalho (1997:20), contrário a esta posição, argumenta que as máquinas podem substituir o trabalho humano, mas não o intelectual. O autor vê o professor como alguém que interage com o aluno de forma a facilitar suas experiências educativas e a instigar sua imaginação. E pensa que o computador, apesar dos seus inúmeros recursos, jamais possibilitará um grau de interatividade que se alcança na relação professor-aluno.
No que se refere a EAD, com emprego dos novos meios de comunicação, o professor disporá de maiores perspectivas de trabalho, mas enfrentará também novos desafios, tendo que trabalhar com seus alunos em um plano mais criativo e inventivo.
Esses novos meios de comunicação possibilitam a interação entre professores e alunos independente do tempo e local em que se encontrem. A interação em tempo real (síncrona) dar-se-á, por exemplo, através da videoconferência. Os materiais impressos, TV, o vídeo e o e-mail são meios que possibilitam a comunicação de maneira assíncrona, ou seja, em tempo não real.
A EAD pode ainda ser transmitida através do que existe de mais moderno em termos de tecnologia como, por exemplo, a teleconferência, audioconferência, audiographis, conferência por computadores, Internet e a realidade virtual
A adoção desses novos meios de comunicação enriquece ainda mais a EAD tornando-a mais eficiente e permitindo que conceitos e informações sejam compartilhados de forma mais dinâmica e interativa a um número maior de pessoas.
Os professores diante dos novos meios terão mais recursos para preparar as aulas e transmitir da melhor maneira possível conhecimentos. Os alunos serão os grandes beneficiados, pois terão contato com novas metodologias de ensino, possuirão maiores estímulos para realizarem trabalhos científicos e encontrarão formas mais prazerosas de estudar e de adquirir conhecimentos.
Embora existam diversos meios de comunicação em que se possa trabalhar com a EAD, o educador deverá ficar atento aos meios que surgirem, pois estes poderão se adequar melhor às suas necessidades. No entanto, o professor deve ser cauteloso para não retroagir somente por tentar incorporar algo novo.
Antes de adotar qualquer meio para a EAD, o professor necessita tomar alguns cuidados para que o seu trabalho possa alcançar um bom rendimento. Deve observar com antecedência fatores como o público que se pretende atingir, o acesso dos alunos ao meio escolhido e ainda o custo do meio a ser utilizado. Pois, a aplicação de novos recursos de comunicação não é a garantia para uma boa educação e bons alunos.
Deve-se ter em mente que a Educação a Distância pode assumir várias formas e ser promovida por instituições com diferentes objetivos, mas estas formas de educar são apenas mais um instrumento dentro do conjunto de inúmeras outras ferramentas que auxiliam o professor no desenvolvimento de seu trabalho e na sua missão contínua de promover a educação.
4. EXPERIÊNCIAS NACIONAIS DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
No Brasil, o processo de EAD teve início na segunda década do século XX, com transmissões por radiotelegrafia e telefonia de programas de literaturas a população do Rio de Janeiro.
Diversas experiências da EAD no Brasil não foram bem sucedidas devido a falta de continuidade do programa adotado, mas isto não foi motivo para abandono da EAD no país. Atualmente, entre as instituições que adotam a EAD estão a Fundação Roberto Marinho, Secretarias Estaduais de Educação e instituições como: a Universidade do Estado de São Paulo (UNESP), a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Universidade de São Paulo (USP) entre outras.
O projeto da UNESP envolve, entre outros, cursos de Inglês, Português e Informática, através de recursos de multimídia, para alunos de graduação. Este projeto tem por objetivo capacitar os docentes a coordenar um programa de EAD.
Como resultado do programa desenvolvido pela UNESP, os professores desta universidade estão ministrando vários cursos virtuais em diversos segmentos da Ciência. Nesses cursos os alunos recebem aulas presenciais e aulas virtuais.
A Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) formou a Coordenação Geral de Especialização, Aperfeiçoamento e Extensão de Ensino a distância.
A Universidade de Brasília criou um consórcio de sete universidades públicas do Centro-Oeste, formando a Universidade Virtual do Centro-Oeste - Univir-CO, que oferece cursos de extensão a distância via Internet.
As universidades que compõem a Univir-CO são a UnB, as universidades federais de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e as estaduais de Anápolis-GO, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
O reitor da UnB, Lauro Morhy, ao lançar a Univir-CO, afirmou que "a educação a distância é indispensável num país com as dimensões do Brasil". E a professora Arlete Meneguette da UNESP argumenta que "a universidade virtual é uma alternativa para que todos os cidadãos possam participar não só da reconstrução contínua do conhecimento, mas também da sua disseminação". (Silveira, 1999)
Em 1995, a Universidade Federal de Santa Catarina estruturou o Laboratório de Ensino a Distância no Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção. Esta universidade em parceria com outras instituições realizou o I Ciclo Catarinense de Teleconferência sobre Tecnologia e Educação, o I Ciclo de Estudos Pedagógicos a Distância, o projeto da Proposta Curricular, o curso Contabilidade de Empresas e o curso Formação de Jovens Empreendedores. A realização destes eventos incluía a produção de fitas de vídeo, materiais impressos e teleconferências.
Em 1996, a UFSC promoveu o primeiro curso de mestrado por videoconferência no Brasil. Os cursos de mestrado iniciaram em parceria e possuíam aulas por videoconferência e presenciais.
Já em 1997, foi promovido o curso de mestrado em Logística que proporcionou aulas por videoconferência, um site, espaços de biblioteca virtual, entrega de trabalhos (sala de produção), banco de cases, sala de discussão, sala de reuniões, novidades e mailbox (Vianney, 1997 apud Rodrigues, 1998:19). Outros cursos também foram oferecidos em diversas outras áreas desta universidade.
Na Universidade de São Paulo, em 1998, foi fundada Escola do Futuro. Esta Escola é um laboratório interdisciplinar de pesquisa cujo objetivo é investigar tecnologias emergentes de comunicação e suas aplicações educacionais. Neste laboratório, o centro das pesquisas é a multimídia, o ensino via telemática nas áreas de ciências e humanidades, a produção de vídeo e holografia, a pesquisa de documentação de informações e comunicação via BBS.
Para a Escola do Futuro, o uso da tecnologia está visando melhorar a qualidade da educação e prover um ambiente de trabalho colaborativo entre os alunos e professores. (Litto, 1997 apud Rodrigues, 1998)
A Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) com o Núcleo de Educação a Distância iniciou em 1991 o planejamento de um curso cuja experiência é inovadora em dois sentidos: "quanto à estrutura curricular e quanto à modalidade, pois é o primeiro programa de terceiro grau, no país, dirigido para a formação de professores que atuam nas séries iniciais, a ser desenvolvido através da Educação a Distância" (Speller, 1996, apud Rodrigues, 1998:21).
Em agosto de 2000, foi lançado um consórcio de 62 instituições públicas de ensino superior denominado UniRede. São conveniadas a UniRede a Universidade de Brasília, Universidade Federal do Ceará, Universidade Federal do Mato Grosso, Universidade Federal de Minas Gerais, Universidade Federal do Pará, Universidade Federal do Paraná, Universidade Federal de Pernambuco, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Universidade Federal de Uberlândia e a Universidade do Vale do Itajaí.
O objetivo da UniRede é democratizar o acesso à educação de qualidade através da oferta de cursos a distância nos níveis de graduação, pós-graduação, extensão e educação continuada. Devido a isto, a UniRede tem oferecido cursos que procuram formar profissionais para trabalhar com o uso de tecnologias aplicadas ao ensino, como os cursos "Formação em Educação a Distância" e "TV na Escola e o Desafios de Hoje".
A UniRede pretende também investir na produção de materiais educacionais próprios do ensino a distância e fomentar a cooperação em rede entre as universidades.
5. A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA E ENSINO CONTÁBIL
Segundo Alves (1994) apud Rodrigues (1998:9), o curso de Contabilidade desenvolvido na Suécia por volta de 1833 foi o primeiro evento de EAD no mundo.
No Brasil, em 1997, o Laboratório de EAD da Universidade Federal de Santa Catarina realizou um curso de Contabilidade de Empresas para cerca de 2.500 pesquisadores do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Uma outra experiência está sendo desenvolvida pela Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (FIPECAFI) que juntamente com o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) oferece o Curso de Mestrado em Controladoria e Contabilidade a distância para docentes e profissionais localizados em cinco estados diferentes no Brasil.
O objetivo deste curso é contribuir para a modificação da realidade contábil brasileira, onde cerca de seis mil docentes atuam na área de Controladoria e Contabilidade e apenas 250 destes possuem habilitação em programas de pós-graduação em mestrados ou doutorados (Revista FIPECAFI, 2000b:1-4). Este curso envolve cerca de 20 professores que ministram aulas presencias e por videoconferência, utilizando também a Internet para recebimentos de trabalhos e contatos com os alunos. Cerca de 50% destas aulas são ministradas pelo sistema de videoconferência.
A videoconferência é uma forma de comunicação entre grupos que estão situados em locais diferentes. Pessoas localizadas em cidades distintas trocam informações como se estivem no mesmo ambiente, otimizando o tempo disponível.
Este sistema trabalha com a compressão de áudio e vídeo, utilizando vários tipos de linhas para transmissão de mensagens entre diferentes locais que possuam equipamentos equivalentes ao da transmissão, ou seja, câmera de vídeo, monitor de televisão, videocassete, computador equipado com modem, microfone, teclado, câmera de documento e softboard (lousa eletrônica).
As mensagens podem ser transmitidas em um único sentido ou nos dois. Neste último caso, são instaladas câmeras em todas as localidades onde se encontram os grupos participantes.
A videoconferência é o meio de comunicação que permite a interação entre professores e alunos em tempo real, com características semelhantes a de uma sala de aula tradicional.
A Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo ‚ FEA/USP possui um Centro Interativo de Ensino e Pesquisa ‚ CIEP que dá suporte as atividades de ensino, pesquisa e extensão desta faculdade através da videoconferência. Dentre os objetivos do CIEP está a promoção de intercâmbio entre a comunidade acadêmica FEA-USP e outras instituições de ensino e pesquisa do Brasil e do exterior e a implementação de programas de ensino a distância utilizando a tecnologia de videoconferência.
O CIEP possui um sistema de videoconferência Picture Tel ‚ CONCORDE 4500, câmera de documento, projetor SVGA, softboard (lousa eletrônica), notebook, software aplicativos, microcomputadores em rede, videocassete e TV.
Através do CIEP, os professores da FEA estão utilizando a videoconferência para realizarem palestras e seminários, participarem de bancas de defesa de dissertações e teses, workshop etc.
A FEA-USP realizou em 1999, através da videoconferência, a primeira defesa de tese do aluno Olavo Borges, com a participação do Prof. Dr. Alberto Borges Matias, localizado na FEA-Ribeirão Preto, e dos professores Dr. Ariovaldo dos Santos, orientador e Dr. Sílvio Aparecido de Carvalho, que se encontravam na FEA-São Paulo. Em 2000, outra defesa de dissertação de mestrado em São Paulo, sob a orientação do prof. Dr. Nelson Carvalho, foi transmitida para alunos do mestrado em Controladoria e Contabilidade da FEA-USP localizados em Fortaleza e em Belo Horizonte.
Em 1999, foi realizado um workshop, com o tema "Educação a Distância e videoconferência ampliando os caminhos do conhecimento sem complicações", para apresentar à comunidade FEA as facilidades que a videoconferência oferece para realização do ensino a distância. Neste evento houve depoimentos de representantes de instituições nacionais e internacionais como a Massachussets Institute of Technology-MIT e a participação dos espectadores com perguntas e experimentação da videoconferência.
Os professores da FIPECAFI estão também utilizando a videoconferência para a realização de curso de pós-graduação em nível lato sensu. O curso MBA-Controller (1998 a 2000) estruturado especificamente para Petrobrás envolveu 38 executivos situados em 16 localidades diferentes no país. O curso possuía uma carga horária de 400 horas-aula, onde cerca de 40% destas foram efetivadas através da videoconferência. A estrutura utilizada foi a da Petrobrás, que dispunha de 19 salas equipadas para este sistema em todo o país, proporcionando aos professores o uso das instalações da empresa em São Paulo para ministrarem suas aulas.
Neste curso existiram limitações do tipo, não se poder ver a todos ao mesmo tempo, e preocupações relacionadas a iluminação, foco, intensidade e volume da fala, coloração de roupas, recursos de áudio, operação de recursos de videoconferência etc., mas, não houveram diferenças significativas quanto ao aproveitamento dos estudos nesta modalidade em relação à forma tradicional. A comparação é permitida "pelo fato de que a disciplina é normalmente oferecida em cursos presenciais. Porém, existiram diferenças significativas na oferta de conteúdo (professor) e na forma de aprendizado (aluno)".(Cornachione, 2000)
Lauro Brito de Almeida, pesquisador da FIPECAFI e coordenador da turma da Petrobrás, afirma que "a comunicação via videoconferência exige mudanças das mais sutis como postura, tom de voz, até mesmo o material utilizado como transparências, lousa devem ser adaptados para esse meio". (Revista FIPECAFI, 2000a:2) . E lembra que "por ser o tempo fator preponderante, é preciso ocupá-lo da melhor maneira possível. Dentro dessa concepção, o uso da Internet como recurso de apoio às aulas é fundamental. Muitos trabalhos e informações complementares são enviados a todos os alunos por esse meio". (Revista FIPECAFI, 1999:4)
Para isso, foi criado um web site que continha detalhes sobre o curso, as disciplinas, os professores, área para troca de idéias entre alunos, acesso aos materiais didáticos, entrega de trabalhos, exercícios, casos, respostas, etc.
Outro curso oferecido pela FIPECAFI, valendo-se de recursos de educação a distância, é o MBA-Controller da Vale do Rio Doce que busca a profissionalização e aperfeiçoamento de seu corpo gerencial.
Sobre a videoconferência, o professor Roberto Kassai, coordenador dos cursos em Curitiba, acrescenta que "dar ênfase a videoconferência possibilita ministrar o curso simultaneamente a várias pessoas de várias localidades, sem fazer com que o executivo tenha que se distanciar da sua cidade e da sua empresa". (Revista FIPECAFI, 2000c:4).
Mas, é imprescindível reiterar que a confecção de curso com tecnologia da educação a distância envolve, um "conjunto de preocupações bem distintas daquelas reconhecidas na forma tradicional". (Cornachione, 2000)
Além da videoconferência, a Internet também está presente na vida dos alunos de Contabilidade da FEA, e isso se dá através de aulas presenciais com apoio deste meio, na efetuação da matrícula, no acesso as notas, na consulta ao currículo do curso e horário das turmas das disciplinas.
Os alunos, profissionais e professores da área contábil também dispõem de sites para obter diversas informações sob sua profissão. Algumas páginas disponíveis são: Departamento de Contabilidade e Atuária da FEA, (www.eac.fea.usp.br), Rede Contábil (www.redecontabil.com.br), Sistema de Gestão Econômica - GECON (www.gecon.com.br), Conselho Federal de Contabilidade (www.cfc.org.br), Partida Dobrada (www.partidadobrada.com.br), Centro de Treinamento, Contabilidade e Consultoria (www.ctcc.com.br), COMAX ‚ Contabilidade e Auditoria (www.comaxcontabilidade.com.br) entre outros.
6. CONCLUSÃO
Não há como negar a importância do estudo em Educação a Distância, diante das inúmeras vantagens que a sua adoção pode proporcionar ao desenvolvimento da Educação no Brasil. A implantação da EAD poderá aumentar a média de anos de estudo por pessoa no Brasil e diminuir o percentual considerável de analfabetos.
Especificamente no ensino superior contábil do Brasil, utilizando-se dos meios de comunicação disponíveis, educadores de diversas instituições poderão combater os problemas existentes, comunicando-se ou reunindo-se com mais freqüência para discutir sobre a melhor adequação do currículo, estudar um programa para a prática contábil, melhorar a qualificação do corpo docente, aperfeiçoando sua metodologia no ensino, incentivar a pesquisa e resolver inúmeras outras questões dessa natureza.
Com uma responsável e adequada utilização de todos os meios disponíveis e sem ignorar as dificuldades existentes no país, conclui-se que a educação a distância deve ser cada dia mais utilizada para melhorar a deficiente educação brasileira, proporcionando um aprendizado tecnologicamente rico, permitindo acesso aos alunos a uma grande variedade de mídias, bem como a um grande número de fontes de educação, possibilitando a supressão das distâncias geográficas, econômicas, sociais e culturais, permitindo ao aluno organizar o seu tempo de estudo, universalizando as oportunidades de aprendizado.
Não reconhecer a EAD como uma forma de ensino que traz grandes benefícios ao processo educacional é, no mínimo, uma posição conservadora, que trará prejuízos a toda sociedade.
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