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Glória Maria Cascais Meleiro, Mônica Almeida Gonczarowska, Elizabete Ribeiro Macedo
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Fases da Concepção de um Projeto de EAD, Utilizando Como Pano de Fundo a Aprendizagem da Língua Portuguesa por Deficientes Visuais Glória Maria Cascais Meleiro
(Texto para download: Formato Word (.DOC)) RESUMO Trata-se de um trabalho teórico e prático de desenvolvimento das fases de um projeto em EAD, objeto de monografia para o Curso de pós-graduação em Educação a Distância, da Universidade Católica de Brasília. Tem como pano de fundo a aprendizagem da Língua Portuguesa e como público alvo o Empregado Portador de Necessidades Especiais ‚ EPNE, da Caixa Econômica Federal, especificamente os deficientes visuais, podendo ser estendido ao público de deficientes visuais em geral, que busca melhorar sua qualificação para o mercado de trabalho. A presente apresentação é o resumo deste trabalho que teve por objetivo permitir ao leitor conhecer os caminhos de elaboração de um treinamento a distância, utilizando-se dos meios radiofônico e impresso. Para que esses caminhos possam ser exemplificados e melhor compreendidos, encontra-se anexo uma unidade de treinamento sobre Língua Portuguesa, com os respectivos instrumentos de planejamento de uma unidade de EAD, que faz parte do trabalho original. O trabalho teve início a partir das questões abaixo levantadas por Adonai Rocha, Presidente Coordenador de Projeto da AJA ‚ Educação Profissional, em pesquisa para a Educação Profissional de Pessoas Portadoras de Deficiências, que levaram a outros questionamentos, no âmbito da CAIXA: Por que pessoas deficientes, membros de família de baixa renda, nunca tentaram conseguir trabalho, emprego ou gerar renda? Por que mais da metade dessas pessoas não possuem sequer carteira de trabalho? Existem empregados e prestadores de serviços portadores de necessidades especiais na CAIXA? Inseridos neste público, existem deficientes visuais? A educação empresarial existente na CAIXA contempla essas pessoas? Se não, por quê? Os treinamentos a distância existentes na CAIXA são adequados a esse público (Braille, material ampliado, fita cassete etc.)? Por que estas questões ainda surgem se Conferências internacionais, a exemplo das Conferências Internacional do Trabalho, Mundial sobre Educação para Todos e Mundial sobre Educação Especial ou de Salamanca já reconheceram, há cerca de dez anos, que inclusão e participação são essenciais à dignidade humana e ao gozo e exercício dos direitos humanos? As autoras acreditam que as Organizações podem contribuir para o resgate da dívida da sociedade junto aos portadores de necessidades especiais. Portanto, as organizações devem propiciar a inclusão de todos os empregados, atuando em um novo paradigma da Educação Empresarial Articulado à Consciência Social. 1. EDUCAÇÃO CORPORATIVA E O NOVO PARADIGMA - EDUCAÇÃO EMPRESARIAL ARTICULADO À CONSCIÊNCIA SOCIAL Este novo paradigma concebe a administração e a educação como realidades globais, isto é, sistêmicas e, como tal, articulam-se entre si. Neste sentido, a ação administrativa deve conter ideologia (ou significado), de natureza cultural e política, e técnica, de natureza econômica e pedagógica. Finalmente, neste paradigma o ser humano é considerado como sujeito individual e social, historicamente responsável pela construção da sociedade e de suas organizações. Constitui a razão de ser das organizações (Sander, 1995). Este novo Paradigma já encontra eco em algumas organizações que começam a atuar no campo da Gestão da Educação Empresarial de forma sistêmica, estendendo a educação corporativa para além das suas paredes, incluindo todos ‚ empregados, clientes e fornecedores, pois acreditam que esta forma de atuar culmina em vantagem competitiva sustentável e abre novos mercados. As organizações estão cada vez mais entrando no setor de educação, não só para assegurar sua sobrevivência no futuro, como também para preencher lacunas da educação formal. A Educação Corporativa concretizar-se-á em sua totalidade quando em consonância com o Novo Paradigma atuar de maneira que os critérios de eficiência, eficácia e efetividade sejam acolhidos pelo critérios de relevância, isto é, quando considerar seus colaboradores, fornecedores, clientes e membros da sociedade no contexto histórico social em que vivem. Quando, finalmente, considerar a organização como parte do sistema e, como tal, co-participante no desenvolvimento do homem e da sociedade. 2. EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA E O NOVO PARADIGMA Considerando que Educação pressupõe não só a noção de estudo... mas também a transmissão de valores morais e éticos (Holmberg). Considerando que no Novo Paradigma educação e administração, enquanto sistemas, articulam-se entre si, que a ação administrativa deve conter significado e técnica, que questões internas e externas devem ser observadas (globalização exigindo organizações funcionando como sistemas abertos; desenvolvimento acelerado de altas tecnologias; exigência por serviços e produtos com preços cada vez mais baixos e qualidade superior; cultura voltando-se para o respeito pela diversidade; valorização da diversidade cultural; indivíduo como sujeito individual e social, responsável pela construção da sociedade e não somente o poder público; ênfase na cidadania). Considerando, ainda, que EAD é uma modalidade da educação que elimina as barreiras de comunicação criadas pela distância ou tempo. A EAD torna-se condição para que o Novo Paradigma se concretize, pois é a modalidade de educação que, utilizando recursos diversos, favorece e orienta o exercício da auto-responsabilidade para que cada pessoa construa sua própria situação de aprendizagem, transformando os distintos ambientes em que atua. 3. O DEFICIENTE VISUAL E A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA O D.V. tem uma dialética de perceber e relacionar-se com o mundo diferente, devido ao conteúdo do que é percebido ‚ que não é visual, e à sua organização, cuja forma é a de referir-se ao tátil, auditivo, olfativo e cinestésico. É essa dialética que define a estrutura própria do D.V. e deve orientar os trabalhos e as pessoas que com ele lidam. Dispor de todos os órgãos dos sentidos é diferente de contar com a ausência de um deles: muda o modo próprio de estar no mundo e de relacionar-se. Trabalhar com o D.V. tomando como modelo a maneira do vidente adquirir cultura é desconsiderar a maneira dele, D.V., perceber e relacionar-se com o mundo. As pesquisas realizadas sobre o D.V., no entanto, partem de um referencial do vidente, no qual está implícito o juízo de valor de que a ação e o espaço de vida fundados no visual é que são "naturais" e "corretos" - conceitos, valores expressos, definições do senso comum são ditados pela visão. O que essas pesquisas e estudos assinalam, de um modo geral, é que o atraso encontrado geralmente no desenvolvimento do D.V. deve-se: - aos aspectos perceptuais ou representacionais caracterizados pelo empobrecimento de imagens, e não por dificuldade situada no aspecto operacional. As imagens formadas pelos D.V. são basicamente reprodutivas, isto é, permanecem estáticas; a ausência de referencial perceptivo próprio ‚ tátil, auditivo, olfativo, cinestésico, faz com que o D.V. fique preso estaticamente a informações recebidas, repetindo-as, impedida de com elas operar ; - à utilização de níveis cognitivos não apropriados à compreensão e organização das situações, num esforço de compensar déficits; - às condições educacionais, familiares e escolares - que não suprem as necessidades de desenvolvimento dos D.V. e nem fornecem oportunidades para maximizar suas possibilidades ‚ e não aos limites provenientes da deficiência visual. Essas pesquisas trouxeram sugestões para educação do D.V., chamando a atenção para a relação do desenvolvimento do D.V. com suas condições educacionais. A respeito dessas pesquisas Swallow conclui da necessidade de: - direcionar experiências concretas para D.V., tais como, experiências físicas diretas com objeto real (relacionando o conceitual com o objeto concreto) e a interação verbal apropriada entre crianças e adultos (para ajudá-la no entendimento da realidade que a cerca); - formação do professor que possa lidar com a incorporação sistemática de níveis de representação em níveis de operação, desenvolvendo a criança D.V. segundo o seu potencial. 4. O Meio Radiofônico ‚ Um recurso a ser utilizado na educação do DV O Meio Radiofônico quando utilizado com finalidade educativa, deve estar inserido, enquanto recurso, em um processo sistemático, que possibilite aos ouvintes aquisição de conhecimentos, habilidades e ou mudança de atitudes. As possibilidades de utilização pedagógica do meio radiofônico compreendem: - Uso complementar e subordinado. Neste caso o meio desempenha uma ação de reforço. Geralmente é complementar ao meio impresso. - Em substituição parcial de professores não qualificados com a forma e conteúdos do ensino tradicional. Neste caso, o meio diminui as deficiências constatadas nas estruturas pedagógicas existentes. - Uso pós-escolar ou extra-escolar. Neste caso, o meio é utilizado para prolongar estruturas pedagógicas insuficientes, propiciando educação em nível de extensão. - Uso Precedente à escola. Neste caso, o rádio é utilizado para exercer uma ação pedagógica sobre coletividades não submetidas, até então, a qualquer sistema de ensino. Possibilita a alfabetização e o desenvolvimento de comunidades (grupos de recepção). O meio radiofônico para ser utilizado com finalidade educativa deve considerar, ainda, três dimensões integradas: A Dimensão do Planejamento Global e Integrado O planejamento global e integrado na educação corporativa é essencial. O planejamento deve responder a algumas questões, tais como: - Os sistemas educativos (planejamento, avaliação, educação a distância, presencial, continuada etc.), tais como estão concebidos, permitem a realização das estratégias empresariais? E respondem às necessidades e aspirações do corpo funcional? O planejamento contempla os meios (impresso, rádio, computador etc.) necessários para a concretização da educação corporativa? É possível continuar a educação corporativa pelo caminho traçado e no ritmo estabelecido? A educação corporativa é flexível o suficiente para viabilizar e reconhecer a aprendizagem, em quaisquer circunstâncias? Somente o planejamento global e integrado que considera e integra as estratégias organizacionais, as unidades de negócios, as aspirações dos empregados, as metas a serem atingidas e ações a serem realizadas, bem como o contexto sócio-político no qual a organização está inserida, poderá estruturar as ações que irão responder a essas questões. A dimensão da tecnologia da educação A tecnologia da educação não é um sistema que se possa montar sobre um sistema convencional, mas uma forma de combinar fatores de produção da educação (construções, equipamento escolar, corpo docente, meios de comunicação, procedimentos de aprendizagem e instrução, computadores, rádios, televisores etc.) para o atingimento de objetivos específicos, a fim de se produzir uma educação eficaz, isto é, que provoque aprendizagem. A dimensão do contexto sociocultural O rádio, igualmente aos narradores, detém o poder de transmitir a cultura e o sentimento, através da voz humana. A comunicação pelo rádio, segundo Pierre Schaeffer, acontece de "boca a ouvido e de coração a coração", o que significa uma comunicação dotada de vida própria e projeção original e criativa que pode aspirar a fazer o homem mais humano e a servir de ponte e canal entre a cultura e o povo. Para a Professora Nélia Del Bianco, os programas educacionais de rádio para terem sucesso precisam buscar interação com o ouvinte a partir dos elementos do seu universo cultural, na forma de redação, de apropriação de imagens que fazem parte do cotidiano da população, de músicas fortemente ligadas a valores, principalmente aquelas que fazem parte das festas regionais. Os conteúdos dos programas devem ser vivos, concretos, indissociáveis das realidades sociais, para que o homem se converta em agente consciente de seu próprio desenvolvimento integral. Finalmente, o rádio deve valorizar a educação-sociedade, porque a educação é um fenômeno indissoluvelmente social e cultural. 5. O Meio Impresso ‚ Um recurso a ser utilizado na Educação do DV Quando utilizado com finalidade educativa, o material impresso para educação a distância, deve estar inserido, enquanto recurso, em um processo sistemático, que possibilite aos leitores aquisição de conhecimentos, habilidades e ou mudança de atitudes. O material impresso, não se presta apenas ao repasse de conhecimento, mas promove a formação do sujeito como interlocutor, seja: - pela expressão dos seus processos cognitivos, isto é, reconhecimento das suas estratégias cognitivas; - pela aplicação prática (exercícios, exercícios de campo), com oportunidade contínua de feedback; - pela auto-avaliação. O material impresso pode ser meio complementar de outro veículo de aprendizagem, a exemplo do rádio, televisão e computador, prestando-se a: - fixação de conteúdo; - complementação de conteúdos, mediante utilização de textos Além disso, o material impresso atua como uma biblioteca ao alcance das mãos, já que traz diversos posicionamentos sobre o assunto tema, permitindo ao indivíduo pesquisar, recordar e interagir, pois traz o registro das palavras. Independentemente da utilização pedagógica do meio impresso ou de qualquer outro veículo, é essencial não se limitar apenas a repassar, transferir e avaliar a retenção dos conhecimentos, mas sim de propiciar, promover e alimentar a interlocução, isto é, a participação, criatividade, expressividade e inter-relacionamento. Pois a essência do processo educativo não repousa no conteúdo nem no programa, mas sim na formação do sujeito como interlocutor (Gutierrez, 1996). 6. Meios Radiofônico e Impresso na Educação do D.V. Os Meios Radiofônico e Material Impresso (Braille e Ampliado) já são utilizados pelo D.V. para a aprendizagem e para o lazer e encontram receptividade junto a esse público, conforme pesquisa realizada pelas autoras. Inserem-se na própria dinâmica do D.V., pela natureza auditiva e tátil desses recursos. A utilização desses meios de forma complementar e alternada justifica-se, ainda, pelo conteúdo demasiadamente extenso, que no caso é a Língua Portuguesa. 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