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Ferramental Pedagógico da Educação a Distância Mediada por Computador (EDMC)
Waldomiro Loyolla e Maurício Prates



Ferramental Pedagógico da Educação a Distância Mediada por Computador (EDMC)

Prof.Dr. Waldomiro Loyolla
FISP/PUC-Campinas
Email: loyolla@fisp.br

Prof.Dr. Maurício Prates
FISP/PUC-Campinas
Email: prates@fisp.br



(Texto para download: Formato Word (.DOC))

RESUMO

A Educação a Distância tem sido considerada, atualmente, como uma das mais importantes alternativas ao ensino presencial, principalmente para pessoas que trabalham e estudam concomitantemente. Apesar de sua crescente importância, ela tem sido, conceitual e praticamente, desafiada a apresentar resultados similares ou melhores que a educação convencional, particularmente quando esta é oferecida através da Internet. Algumas iniciativas nacionais de Educação a Distância têm apresentado índices de evasão de 70% a 90%, prenunciando-se como experiências frustrantes. Entretanto, a metodologia EDMC (Educação a Distância Mediada por Computador) tem apresentado índices de evasão de 5% a 12% nos diferentes níveis educacionais em que tem sido utilizada. Sua principal característica é ser baseada em um projeto pedagógico que detalha a aplicação de pilares pedagógicos em que se baseiam a preparação do material pedagógico e seu oferecimento através da Internet. Este artigo detalha alguns destes pilares pedagógicos.
Palavras-chave: EDMC - Educação a Distância Mediada por Computador, Educação a Distância, Educação pela Internet, Projeto Pedagógico, Cursos pela Internet

1. Introdução

A educação a distância passa, atualmente, por um momento crítico na sua consolidação como processo alternativo da educação presencial convencional, desafiada a apresentar igual ou maior graus de qualidade e de confiabilidade para ser aceita e absorvida. Hoje, no país, observa-se uma crescente oferta de cursos a distância, a maioria de caráter informal ou livre e apresentando alta volatilidade do alunado, com perigosos índices de evasão na faixa de 70% a 90%, determinando o fracasso usualmente detectado nesses programas.

Um dos principais fatores desse insucesso é uma errônea priorização das ferramentas tecnológicas, em detrimento do ferramental pedagógico, este sim, necessariamente prioritário no planejamento e implantação de cursos a distância mediados por computador. Este é o diferencial que destaca a Metodologia EDMC (Educação a Distância Mediada por Computador), onde o projeto pedagógico é considerado prioritário, ficando o ferramental tecnológico como o suporte que o tornará viável. Com a adoção da Metodologia EDMC, os graus de evasão observados ficam na faixa de 5% a 12%.

O ferramental tecnológico utilizável pela Metodologia EDMC pode ser classificado em dois grupos principais, quais sejam, um para a geração de material didático e outro para interação entre participantes e informação/conhecimento, cada um deles subdividido em ferramentas básicas (de uso rotineiro) e avançadas (de uso complementar e especial). O ferramental tecnológico, de forma geral, pode ser assim caracterizado:

(1) É vasto e de oferta generosa.

(2) Apresenta alto grau de disponibilidade.

(3) Apresenta excelente relação custo/benefício.

Pode-se citar que, atualmente, apenas há uma restrição importante quando se considera a transmissão de arquivos de vídeo, o que a Internet-2 deverá corrigir em função de sua bem maior banda de transmissão.

2. Abordagens Pedagógicas

Talvez seja interessante não perder de vista a definição de Pedagogia, que, conforme a EnciclopÈdia Britânnica, é a seguinte:

Pedagogia - Estudo dos métodos de ensino, dos objetivos da educação e dos meios para atingi-los. Reside fortemente na psicologia educacional, ou seja, nas teorias sobre as formas e mecanismos de aprendizado.
Esta conceituação, aparentemente simples, nos remete ao fato de que a Pedagogia é um modo completo de praticar o educacional, que por um lado exige planejamento e que por outro lado considera o comportamento da mente diante do processo de ensino-aprendizado. A propósito, é também de se notar o verbete da Enciclopédia Michaelis, menos objetivo mas nem por isso menos interessante:
Pedagogia - (do grego: paidagogía) (1) Estudo teórico ou prático das questões da educação. (2) Arte de instruir, ensinar ou educar as crianças.
Pedagogo - (do grego: paidagogós) (1) Escravo que acompanhava as crianças à escola. (2) Aquele que exerce a pedagogia. (3) Prático de educação. (4) Aquele que se ocupa dos métodos de educação e ensino. (5) Indivíduo que se arroga o direito de censurar os outros. (6) Pedante.
As referências (5) e (6) acima talvez justifiquem porque a pedagogia é tão segregada pela maioria dos professores, que preferem desenvolver intuitivamente sua didática pessoal ao invés de desenvolve-la por sobre um substrato pedagógico consistente, incorrendo assim num erro que leva a um menor aproveitamento do processo de ensino-aprendizado. Apesar disso, a pedagogia sofreu um desenvolvimento digno de nota, pois tem sido brindada com diversas abordagens educacionais, objetivando estruturar e fornecer metodologias eficientes de ensino-aprendizado. Delas, três se destacam pela predominância corrente de uso: Comportamentalismo, Cognitivismo e Construtivismo, que podem ser resumida e simplificadamente caracterizadas como segue.

2.1. Comportamentalismo

O comportamentalismo (ou behaviourismo), é uma abordagem pedagógica em que o professor ensina descrevendo de forma repetitiva os fatos/fenômenos praticamente sem explicar suas causas/origens. Baseia sua eficiência de aprendizado no sistema prêmio/castigo, como explicam as teses de Pavlov para o treinamento de animais domésticos, o que deu lugar ao sistema da "decoreba", predominante no ensino de primeiro grau até a década de 1950. Note-se que é uma abordagem que dispensa a componente de pesquisa/busca de conhecimento, já que o conhecimento se limita àquele que é portado pelo professor. É uma abordagem obviamente limitada que, por incrível que pareça, ainda permeia nosso atual sistema educacional, até mesmo em cursos de nível superior.

2.2. Cognitivismo

O cognitivismo é uma abordagem pedagógica em que o professor ensina descrevendo os fatos/fenômenos, mas com a preocupação de explicar suas causas/origens, porém, ainda, dentro de uma situação de aceitação passiva por parte dos alunos diante do professor "sabe-tudo". Esta situação é a predominante no atual modelo brasileiro de ensino superior. Note-se que é uma abordagem que faz uso restrito, apenas complementar, da pesquisa/busca de conhecimento. Na melhor das hipóteses, nela se utilizam experiências de laboratórios, notoriamente repetitivas e restritas a uma forma linear de experimentos simplificados. O uso de bibliotecas é incentivado, mas, não é preciso lembrar que, de forma geral, nossas bibliotecas são extremamente restritas e incompletas.

2.3. Construtivismo

O construtivismo é uma abordagem pedagógica altamente diferenciada das duas anteriores, pois, nela, não é o professor que ensina, mas sim o aluno que aprende. Esta abordagem baseia-se numa ação tutorial do professor que, ao invés de ensinar, induz o aluno a "aprender-a-aprender" através da busca orientada do conhecimento que o aluno necessita. É uma situação de indução e aproveitamento da criatividade potencial do aluno, advinda das teorias de Piaget. É uma abordagem que depende intensivamente de fontes generosas de informação, hoje garantidas pelo gigantesco universo informativo disponível na Internet.

As características mais significativas dessas três principais abordagens pedagógicas podem ser resumidas como apresentado na tabela 1 abaixo.


Tabela 1 - Principais abordagens pedagógicas

 

3. Construtivismo e a Educação a Distância mediada por Computador

A Educação a Distância Mediada por Computador (EDMC) baseia-se fortemente na abordagem pedagógica construtivista, já que a mesma se presta a ser aplicada com maior eficiência em relação às metodologias presenciais convencionais. Dessa forma, estimulam-se diversas características de aprendizado atualmente exigidas pela educação em geral e particularmente pela moderna educação continuada profissional, uma vez que o foco é orientado ao binômio aluno/aprendizado, ao invés do binômio convencional professor/ensino. Esta abordagem permite liberar o aluno das restrições impostas pelo "conhecimento pronto" (apostilas, p. ex.), passando a leva-lo a buscar, de forma orientada, e com um certo grau de autonomia, o conhecimento/informação de que realmente precisa. As conseqüências são diversas e positivas, tais como estimular o uso do método de pesquisa, induzir o trabalho em grupo e permitir a articulação entre teoria e prática (cuja falta é tão criticada no ensino convencional). Aqui bem se aplica o famoso ditado chinês "melhor ensinar a pescar que simplesmente dar o peixe".

3.1. Mecanismo Básico de Aprendizado

O construtivismo, aplicado à educação a distância, leva em conta diversas questões pedagógicas que advêm da psicologia educacional. A principal dela, e mais estratégica para o sucesso da abordagem construtivista, é aquela que trata do mecanismo básico de aprendizado, ou seja, da forma através da qual a mente toma contato com um novo objeto de conhecimento. Isso se dá seqüencialmente em três fases evolutivas, quais sejam, uma primeira fase denominada "Difusa", um segunda "Analítica" e uma terceira e última fase a "Sintética", que podem ser caracterizadas como segue:

• Fase Difusa - Nesta fase ocorre o primeiro e superficial contato com o objeto de conhecimento, quando a mente busca identificá-lo com seus congêneres na base de dados mental. Aqui a mente procura absorver um perfil geral do novo conhecimento.

• Fase Analítica ‚ Nesta fase ocorre o segundo e íntimo contato com o objeto de conhecimento, buscando a decomposição em suas partes componentes para melhor compreendê-las. Aqui a mente absorve o conhecimento parcial e detalhado de cada parte principal que compõe o todo do novo conhecimento.

• Fase Sintética ‚ Nesta fase ocorre o último contato com o objeto, através da recomposição de suas partes permitindo a compreensão global do objeto de conhecimento. Nela a mente sintetiza o novo conhecimento em função da análise anteriormente feita em suas partes componentes principais.

3.2. Concentração Mental e Tempo de Estudo

Outra questão estratégica que a abordagem construtivista leva em conta é a que se refere ao nível médio de concentração mental, que para uma pessoa normal segue uma curva que tem seus valores de ciclo na faixa de 1 a 3 horas. Assim sendo, o estudo deve ser realizado com ritmo e freqüência, para que se possa criar um plano de hábito necessário à eficiência do ato de estudar. Como corolário, pode-se afirmar que "É muito mais eficiente estudar uma hora por dia em seis dias, do que seis horas em um só dia!". Portanto, o tempo de estudo não pode ser linear, devendo minimizar os ciclos mentais de saturação ao planejar e executar os estudos com Método, dividindo-o em etapas adequadas e viáveis.

3.3. Unidades de Aprendizado

Baseada nas principais questões estratégicas acima mostradas, dentre outras complementares, a Metodologia de Educação a Distância Medida por Computador, principalmente baseada na Internet/Web, envolve o conceito de Unidade de Aprendizado (UA). Uma UA pode ser definida como a menor quantidade de conhecimento que deve ser imposta à mente, tendo em vista sua modulação cíclica. Em outras palavras, uma aula deve ser dividida em UAs bem dimensionadas de forma a maximizar a eficiência do estudo, sendo que devem estar distribuídas num conjunto (aula) que não exige do aluno um tempo de aprendizado maior que três horas.

Por outro lado, cada UA, que pode ser encarada como um bit de conhecimento, deve levar em conta as três fases do mecanismo básico de aprendizado. Por isso, o primeiro contato do aluno (difuso) com a UA se dá através de um slide simples, contendo os indicativos do conhecimento a ser adquirido, como se fossem as manchetes de uma notícia de jornal. A partir daí uma série de links, internos ou externos, leva o aluno aos eventuais componentes daquele novo conhecimento, permitindo-lhe o contato analítico com o mesmo. Ao final, a mente do aluno terá condições de sintetizar aquela nova unidade de conhecimento, absorvendo-a graças à UA inerente. A figura 1 procura ilustrar o conceito de UA.


Figura 1 - Esquema ilustrativo do conceito de uma UA (Unidade de Aprendizado)

4. Projeto Pedagógico e a Educação a Distância medida por Computador

Tal como em qualquer curso, o sucesso de um curso oferecido à distância e mediado por computador, baseado na Metodologia EDMC, depende estrategicamente da identificação e priorização dos seus aspectos pedagógicos. Tais aspectos devem ser explicitados através de um projeto pedagógico elaborado, neste caso, em bases construtivistas bem determinadas. Vale salientar que o projeto pedagógico é uma ferramenta basilar para a compreensão da filosofia de criação e de oferecimento de qualquer curso ou disciplina. Ele se presta não só para a documentação do curso mas também, e principalmente, para estabelecer as diretrizes de como devem ser elaboradas as aulas, os trabalhos e as avaliações, bem como identificar os resultados a serem obtidos. Particularmente para cursos à distância, ele também serve como elemento determinador do percentual de presencialidade requerido para que o curso seja eficientemente desenvolvido.

Dentre outros itens que normalmente compõem um Projeto Pedagógico, aqui ressaltam-se alguns, por estarem mais intimamente relacionados com os cursos oferecidos pela Metodologia EDMC, e que são detalhados a seguir. Tais itens, quando devidamente elaborados e encadeados, podem formar a estrutura básica do curso/disciplina que se queira oferecer a distância pela mediação do computador e da Internet.

4.1. Denominação do Curso

A denominação do curso não deve ser descuidada, pois é o contato primeiro do possível aluno com o curso. Portanto, deve ser pensada de forma a mostrar o apelo do aprendizado que se quer oferecer, de forma tão sintética e tão objetiva quanto possível, evitando os jargões acadêmicos convencionais e desgastados, e mostrando, se possível, a correlação do tema com o mercado de trabalho em que o alunado desejado está inserido.

4.2. Objetivos do Curso

Os objetivos do curso devem estar claramente colocados, tanto para o professor quanto para o alunado a ser atingido. Os objetivos podem, e devem, ser qualificados pelos conhecimentos que se pretende passar ao alunado, assim como pelas habilidades que o alunado poderá desenvolver pela aplicação dos conhecimentos recebidos. É esta última componente dos objetivos que realmente cativará o alunos, e o fará interessar- se pelas informações restantes acerca do curso.

4.3. Parâmetros de Seleção do Alunado

Um dos fatores mais importantes de insucesso de um curso a distância é o açodamento dos organizadores em açambarcar-se o maior número possível de alunos, sem uma razoável base seletiva. Um conjunto heterogêneo de alunos pode estabelecer diferenciações de dificuldade/facilidade, havendo o risco do curso ser muito fácil para uns e muito difícil para outros, situação em que se deveria conduzir à formação de mais de uma turma com diferentes formatos de atendimento. Este diferencial, eventualmente existente dentro do alunado, pode aumentar significativamente a volatilidade dos alunos, provocando altos e perigosos graus de evasão, com uma conseqüência negativa quanto ao prestígio do curso/professor segundo a divulgação capilar do alunado. Portanto, qualquer que seja o curso/disciplina, deve-se aplicar algum tipo de processo seletivo, de forma a se captar o perfil diferencial dos inscritos antes de seleciona-los. Como exemplo, pode-se elaborar um questionário de fácil preenchimento, contendo, entre outros, os seguintes quesitos:

Grau de familiaridade com o computador

• Nível de interesse no curso
• Base de conhecimento na área do curso
• Motivações para fazer o curso
• Disponibilidade para acompanhar o curso

4.4. Ementa Descritiva do Curso

A ementa descritiva do curso deve ser encarada como uma descrição sucinta e objetiva da estrutura básica do curso, e não uma peça acadêmica que permanece como um registro meramente cartorial. A idéia é ser elaborada como um "telegrama" a respeito do curso, que o professor passa para o aluno.

4.5. Conteúdo Programático do Curso

O conteúdo programático do curso deve ser elaborado de forma estruturada e itemizada, sob um planejamento dos temas e tópicos que compõem a estrutura básica do curso. Este planejamento não deve ser apresentado, necessariamente, na forma seqüencial, mas sim ser tão completo quanto possível, de forma ao aluno ali encontrar a estrutura formativa do curso, mas não o calendário das aulas.

4.6. Calendário do Curso

O calendário do curso consiste na programação detalhada de todas as aulas e outras atividades previstas ao longo do período em que a mesma se dará, com datas e horários inerentes, de forma que o aluno possa preparar-se, em termos de agenda, para acompanhar o curso de forma eficiente.

4.7. Ferramentas de Interação

A identificação adequada de quais tipos de interação devam ocorrer entre os participantes (professores/tutores com alunos e aluno com alunos) ou entre participantes e informação (professores/tutores com informação e alunos com informação) é fator primordial para a elaboração e sucesso do curso. O entendimento adequado destes tipos de interação é que permite a escolha adequada do ferramental tecnológico que dê suporte ao curso. É pelo uso de um ferramental tecnológico de interação adequado que se obtém a otimização do aprendizado dos alunos, ao direcioná-los a interagirem entre si e com o material didático formativo e informativo de maneira a obterem-se os objetivos desejados para o curso/disciplina. Muitos dos casos de fracasso de cursos a distância advêm do uso inadequado de ferramental de interação.

4.8. Método de Trabalho dos Alunos

Ao reconhecer-se formalmente e explicitar, no Projeto Pedagógico do curso, quais os métodos de trabalho que os alunos devem adotar, pode-se orientar os alunos a obterem conhecimentos e habilidades que não diretamente relacionadas com o conteúdo do curso/disciplina mas que sejam desejáveis em termos da formação dos mesmos.

É conveniente, assim, explicitar-se no detalhamento dos métodos de trabalho dos alunos quais deverão ser:

Grau de presencialidade do curso/disciplina - organizando o calendário para que eventuais aulas presenciais tenham um real motivo para assim o serem. Um exemplo destas necessidades são as datas de realização de avaliações necessariamente presenciais ou as datas para aulas experimentais que não possam ser realizadas a distância

• Acesso a material didático - determinando como deve ser a interação do aluno com o material didático. Ao se reconhecer como deve ser explicitamente este acesso, pode-se conseguir resultados pedagógicos interessantes, como o caso de apenas disponibilizar-se novos conteúdos a partir de avaliação positiva do conteúdo imediatamente anterior.

• Sistema de Interação - determinando como deve ser a interação entre aluno-alunos e aluno-professor/tutores. Explicitando-se estas formas de interação e com o reconhecimento formal de quais ferramentas de interação deverão/poderão ser utilizadas pode-se direcionar os alunos a obterem habilidades desejáveis. Um exemplo é o caso de buscar-se desenvolver nos alunos a habilidade de trabalho em grupo através da Internet. Pode-se incentivar a obtenção de tal habilidade, independentemente do conteúdo em estudo, ao estabelecer-se grupos em que a distância física entre os alunos seja tal que iniba o desejo/disponibilidade de encontrarem-se pessoalmente para a realização dos trabalhos

• Sistemas de acompanhamento - determinando como o professor/tutor deverá acompanhar o desenvolvimento de estudos dos alunos. A volatilidade de alunos a distância é muito grande e um dos principais mecanismos disponíveis para evitar-se evasão de alunos é o estabelecimento de formas de acompanhamento próximo da evolução de cada aluno ou grupo de trabalho. A "cobrança" faz com que o aluno sinta-se acompanhado, o que, geralmente, estabelece relação de confiança no professor e no curso, desestimulando a evasão.

4.9. Parâmetros de Avaliação

A avaliação é frequentemente pensada apenas em termos de aferição do conteúdo aprendido pelo aluno. Entretanto, para cursos a distância, é também altamente conveniente proceder-se à avaliação da oferta.

Por avaliação da oferta entende-se a realização de uma avaliação do próprio curso por parte dos alunos. Nesta avaliação é conveniente considerar-se aspectos como o atendimento didático recebido, a clareza e consistência do material pedagógico disponibilizado, o atendimento técnico-administrativo e a infra-estrutura de comunicação disponível.

O conhecimento do ponto de vista dos alunos em relação a estes aspectos permite que os cursos sejam atualizados não apenas em relação ao material pedagógico mas também em relação a itens que também influenciam fortemente o rendimento dos alunos.

5. Resultados da Educação a Distância mediada por Computador

A adoção do ferramental pedagógico preconizado pela metodologia EDMC (Educação a Distância Mediada por Computador), devidamente suportada pela infra-estrutura comunicacional oferecida pelo ferramental tecnológico, tem levado a resultados significativos do uso da mesma.

O sucesso da utilização de uma metodologia de oferecimento de cursos a distância pode ser avaliado por diferentes parâmetros. Dentre outros, a medida da aderência dos alunos ao curso e a medida da variação do interesse de novos alunos pelo curso podem ser consideradas como indicadores do sucesso ou fracasso de um curso. Embora não sejam largamente reconhecidos como tal, índices de evasão da ordem de 20% são considerados aceitáveis.

A aplicação da metodologia EDMC em cursos de diferentes níveis educacionais tem obtido resultados animadores em relação a índices de evasão e de grau de interesse pelos cursos por ela suportados.

Na PUC-Campinas, a metodologia EDMC tem sido usada em cursos dos mais variados níveis educacionais, desde treinamento técnico até cursos de mestrado. Particularmente em seu Programa de Mestrado em Informática após a aplicação da metodologia obteve-se resultados motivadores para os 3 primeiros anos. A procura pelo programa cresceu de 2 alunos/vaga para 12 alunos/vaga. Também, no mesmo período, o índice de evasão obtido foi de 5,8%.

Na FISP - Faculdades Integradas de São Paulo a metodologia EDMC tem sido usada no Programa FISP OnLine. Este programa, apesar de recente em seus apenas três meses de existência efetiva, e de sua equipe reduzida (10 especialistas, sendo cinco no Laboratório de Suporte Pedagógico e cinco no Laboratório de Suporte Tecnológico), tem apresentado resultados extremamente animadores. Dentre eles destacam-se um índice de evasão do alunado de apenas 2.9% e um crescimento contínuo do número de inscritos nos cursos ora ofertados, como mostra a figura 2.


Figura 2 - Crescimento do número de inscritos no FISP OnLine

6. Conclusão

A adoção da Metodologia EDMC tem obtido resultados altamente satisfatórios para o oferecimento de cursos através da Internet. Particularmente estes resultados são auspiciosos quando os índices de evasão dos cursos que adotam esta metodologia são comparados com outras experiências nacionais de cursos oferecidos pela Internet.

Esta vantagem baseia-se, principalmente, na adoção de um conjunto de estratégias pedagógicas, explicitadas em um projeto pedagógico, especialmente formuladas para o oferecimento de cursos pela Internet, provendo uma especial adequação para a integração com o ferramental tecnológico disponível.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

1. BÉDARD, Roger. Construtivismo e Formação a Distância. In: Tecnologia Educacional (Rev) N 140, Pag 03-09, ABT, Rio de Janeiro, 1998

2. CAMBI, Franco. História da Pedagogia, Editora UNESP, São Paulo, 1999

3. COUTINHO, Maria Teresa da Cunha. Psicologia da Educação ‚ Um Estudo dos Processos Psicológicos de Desenvolvimento da Aprendizagem, com Ênfase na Abordagem Construtivista, 6 edição, Editora Lê, Belo Horizonte, 1998

4. GRATTO, Karen Snith. Toward Combining Programed Instruction and Constructivism for Tutorial Design.
Disponível em: <http://www.coe.uh.edu/insite/elec_pub/html1995/199.htm>.

5. LITTO, Fredric Michael. Repensando a Educação em Função das Mudanças Sociais e tecnológicas Recentes, In: Informática em Psicopedagogia, Vera Barros de Oliveira (Ed.), Pag. 85 ‚ 110, Editora SENAC, São Paulo, 1996

6. NEVES, Carmem Moreira. Critérios de Qualidade para a Educação a Distância. In: Revista de Tecnologia Educacional, N 141, P 13-17, ABT, Rio de Janeiro, 1998

7. PRATES, Maurício & LOYOLLA, Waldomiro. A Aplicação em Cursos Formais da Metodologia EDMC (Educação a Distância Mediada por Computador), In: Cadernos de Cultura (Revista do IMAE), Ano 1, V 1, N 1, Pag. 41 ‚ 47, São Paulo, 2000

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