Textos
Eliana M. do Sacramento Soares
Laboratório de Ambientes Virtuais de Aprendizagem LAVI
www.ucs.br/LaVia
Projeto de pesquisa em andamento
Equipe responsável - Pesquisador coletivo
Profa. Dra. Eliana M. do Sacramento Soares
Dep. de Matemática e Estatística‚ coordenadora
Email: emsoares@ucs.tche.brr
Profa. MSc. Carla Beatris Valentini
Dep. de Psicologia
Profa. MSc. Liane Beatriz Moretto Ribeiro
Dep. de Educação
Profa. MSc. Maria de Fátima W. do P. Lima
Dep. de Informática
Profa. Naura de Andrade Luciano
Dep. de Informática
Profa. MSc Martha Barcellos Vieira
Dep. de Informática
Profa. Marilda Spindola Chiaramonte
Dep. de Informática
Profa. MSc Cláudia Zamboni de Almeida
Dep. de Ciências da Educação
Profa. MSc Isolda Giani de Lima
Dep. de Matemática e Estatística
Profa. Jane Rech
Dep. de Psicologia
Profa. MSc Laurete Zanol Sauer
Dep. de Matemática e Estatística
Bolsistas:
Fernanda A. Schneider
acadêmica do curso de Psicologia
Luciana Soardi
acadêmica do curso de Ciências da Computação
Luciane Viapiana Andrade
acadêmica do curso de Engenharia Química
Márcia Buffon Machado
acadêmica do curso de Engenharia Química
Rosecler Mary Fiorio
acadêmica do curso Matemática
Tatiana Andreola
acadêmica do curso Psicologia
Universidade de Caxias do Sul
(Texto para download: Formato Word (.DOC))
RESUMO
A Educação precisa responder aos desafios contemporâneos de educar para a paz, para o aprender a aprender e para lidar com sucesso com a sociedade do conhecimento. Uma das formas de realizar essa tarefa é desenvolver estratégias de aprendizagem mediadas por tecnologias da comunicação. O Laboratório de Ambientes Virtuais de Aprendizagem - LaVia ‚ pretende desenvolver, implementar e avaliar ambientes virtuais de aprendizagem, utilizando a rede informatizada para auxiliar no processo de aprendizagem através de diferentes formas de interação on-line. O estudo do processo de aprendizagem em ambientes virtuais está sendo realizado em turmas de graduação dos cursos de Engenharia, Psicologia, Pedagogia e Matemática e em cursos de Extensão. Os ambientes estão sendo construídos de forma a possibilitarem a cooperação, a interação, a tomada de decisões e o estabelecimento de relações para a construção de aprendizagens significativas, em vivência real. A avaliação da dinâmica do ambiente está sendo realizada permanentemente pela equipe de pesquisadores, como mecanismo de correção ou indicativo de mudanças no planejamento do ambiente. Diante dos resultados obtidos, ainda que parciais, a partir da análise dos dados coletados nas experiências realizadas, os ambientes estão sendo modificados e aperfeiçoados a fim de continuar a pesquisa pretendida.
Palavras-chave: Informática na Educação. Educação à distância. Ciências Cognitivas. Informática e aprendizagem. Psicologia da aprendizagem. Programação de ambientes interativos de aprendizagem
1. Contexto do Projeto
Aprender a aprender, criar e empreender, gerenciar informações, derivar dos resultados de pesquisa novas possibilidades de aplicações no âmbito da atuação profissional, modificar padrões estabelecidos e identificar diferentes possibilidades de atuação profissional são algumas das habilidades ou condutas que precisam ser ensinadas, para que sejam formados indivíduos capazes de atuar e produzir resultados de valor para a sociedade contemporânea, em constante mudanças.
Nesse cenário é fundamental que a Educação seja capaz de responder às novas necessidades que se apresentam e uma das formas de realizar essa tarefa é desenvolver estratégias de aprendizagem, mediadas por tecnologias de comunicação. Assim surge a proposta do Laboratório de Ambientes Virtuais de Aprendizagem - LaVia - para atender às necessidades e exigências contemporâneas de capacitar para a criatividade e para a autoaprendizagem.
Esse projeto tem por finalidade a pesquisa, desenvolvimento, implementação e avaliação de ambientes virtuais de aprendizagem, utilizando a rede informatizada para auxiliar no processo de aprendizagem através de diferentes formas de interação, e o desenvolvimento de habilidades e condutas consideradas relevantes; estabelecer critérios de avaliação desses ambientes que possibilitem seu aperfeiçoamento contínuo, com base em paradigmas construtivistas e interacionistas.
A expressão "ambiente virtual de aprendizagem" está relacionada à programação de condições de aprendizagem enriquecidas com recursos da Informática para estimular a aprendizagem por meio da construção dos conceitos e da interação do aluno com o professor, com os colegas e com os recursos utilizados. A utilização de recursos da Informática diz respeito ao uso de softwares para a construção e configuração de hipertextos, para animação de imagens, e criação de ferramentas de interação on-line, tipo formulários cgi e correio eletrônico, dentre outros. A adaptação desses recursos à proposta e ao paradigma educacional construtivista prevê a capacitação dos alunos na autogerência para realizar seus estudos, levando-os a refletir, compreender, a comparar, a deduzir, dentre outras capacidades, com base na orientação on-line, do professor.
2. Desenvolvimento do projeto
2.1. Metodologia: Pesquisa-Ação
A abordagem metodológica de Pesquisa-Ação constitui-se em assumir a relação com a complexidade e dinamicidade da vida. O pesquisador, nesta concepção, tem um nova atitude perante a Ciência e a Sociedade, integrando especificidades teóricas e diferentes sistemas propostos pelas culturas do mundo. O pesquisador, sob esse ponto de vista, percorre diversos campos de conhecimento e adota uma linguagem científica compreensível para as diferentes áreas. A Pesquisa-Ação realizada no projeto LaVia está próxima do que Barbier (1996) chama de ação-pesquisa, onde o pesquisador é o próprio interventor e professor das disciplinas onde se realiza a experiência, e os alunos (também atores) estão integrados ao processo de construção e auto reflexão de sua aprendizagem, bem como na análise e na avaliação dos ambientes virtuais de aprendizagem.
Dentro do enfoque de Pesquisa-Ação constituímos o pesquisador coletivo que vem a ser todos os pesquisadores, bolsistas e alunos envolvidos nas disciplinas. A análise e interpretação dos resultados não é exclusiva e reservada somente aos profissionais da pesquisa, mas deve ser partilhada com o grupo e os sujeitos envolvidos na pesquisa. Para efetivação do papel de pesquisador coletivo e da dialética de ação-pesquisa constituímos 10 sub-sistemas de trabalho que compõe o projeto LaVia. Cada sub-sistema é composto por pesquisadores e bolsistas que tem um tema ou problema específico a trabalhar. Os sub-sistemas definem seu sistema de reciprocidades e as funções dos participantes. Dessa forma os participantes estão profundamente envolvidos, participando diretamente da pesquisa, criando um ambiente de confiança, de cooperação e de produção.
2.2. Seminários de estudo
Sistematização do conhecimento em torno do tema e identificação de variáveis que precisam ser consideradas ao planejar ambientes virtuais de aprendizagem.
Elas dizem respeito a aspectos psicopedagógicos, tecnológicos, culturais e afetivos. Dentre as discussões atuais destacam-se as relacionadas à interação e à cooperação nesses ambientes e às intervenções psicopedagógicas que apóiam a aprendizagem significativa.
2.3. Desenvolvimento de ambientes virtuais de aprendizagem
Os ambientes foram desenvolvidos pelos pesquisadores com base nos estudos realizados e nos dados sobre o processo de ensino aprendizagem obtidos pelas experiências anteriores. As disciplinas e os cursos aconteceram de forma bimodal, ou seja, com atividades presenciais e à distância. A porcentagem de atividades à distância foi adequada de acordo com a característica da disciplina ou curso do grupo de alunos envolvidos.
Os ambientes são constituídos por páginas da Web, contendo hipertextos, links de acesso à páginas com orientações para estudos à distância, com informações da disciplina, com URLs contendo temas relacionados à disciplina (biblioteca virtual) e com formulário para efetivar processos de interação entre o professor e aluno e entre alunos. As informações referentes aos conceitos a serem estudados foram disponibilizadas, na Internet, em forma de hipertextos, organizados de forma a incentivar o aluno a refletir, a interpretar, a tomar decisões e a gerenciar sua aprendizagem. As tarefas de aprendizagem propostas foram planejadas de forma a incentivar o aluno a refletir sobre os conceitos e problemas com os quais lida, na busca de desenvolver aprendizagem significativa.
O estudo do processo de aprendizagem em ambientes virtuais está sendo realizado em turmas de graduação dos cursos de Engenharia, Psicologia, Pedagogia, Ciências da Computação e Matemática e em cursos de Extensão. Os ambientes estão sendo construídos de forma a possibilitarem a cooperação, a interação, a tomada de decisões e o estabelecimento de relações para a construção de aprendizagens significativas, em vivência real. A avaliação da dinâmica do ambiente está sendo realizada permanentemente pela equipe de pesquisadores, como mecanismo de correção ou indicativo de mudanças no planejamento do ambiente.
Os endereços onde estão disponibilizados os diferentes ambientes construídos pela equipe de pesquisadores e seus bolsistas para as diferentes disciplinas e cursos, da Universidade de Caxias do Sul, são:
• Disciplinas de graduação:
• Equações diferenciais dos cursos de Engenharia Mecânica e Química• Curso de Capacitação para professores: Informática na Educação e no espaço Interdisciplinar, à distância.
http://www.ucs.br/ccet/deme/emsoares/eqdif
• Matemática Aplicada do Curso de Licenciatura Plena em Matemática http://www.ucs.br/ccet/deme/emsoares/mataplicada
• Cálculo Diferencial e Integral IV do Curso de Engenharia Mecânica e Química e do curso de Matemática http://www.ucs.br/ccet/deme/emsoares/caliv
• Iniciação a Pesquisa do Curso de Licenciatura Plena em Matemática
http://www.ucs.br/ccet/deme/emsoares/inipes
• Cálculo Diferencial e Integral do curso de Engenharia Mecânica e Química http://www.ucs.br/ccet/deme/lzsauer/pecadi/
• Linguagem de Programação do Curso de Licenciatura Plena em Matemática
http://www2.ucs.br/naura/mat002
• Teorias da Aprendizagem do Curso de Psicologia
http://www.ucs.br/ccha/deps/cbvalent/teorias012/
• Informática Básica
http://www.ucs.br/unid/ccet/dein/mbvieira/237H
http://www2.ucs.br/naura/polimeros/
http://www2.ucs.br/naura/adm/
• Gerenciamento de CPD do Curso de Ciências da Computação
http://www.ucs.br/gcpd
• Teleprocessamento do Curso de Ciências da Computação
http://www.ucs.br/sis458b
• Informática Educativa do Curso de Pedagogia
http://www2.ucs.br/naura/ped002/
http://www.ucs.br/LaVia/cap
• Curso de aperfeiçoamento em Conceitos Matemáticos e em programação de Ambiente de Aprendizagem
http://www.ucs.br/LaVia/pro
• Oficina de Ambientes de Aprendizagem - I Seminário Estadual de Ensino Especial, Informática Educativa e Ações Complementares, Caxias do Sul, agosto de 1999.
http://www.ucs.br/ccha/deps/cbvalent/oficina/oficina1.htm
• Seminários Didáticos Pedagógicos - Programa de capacitação de Docentes da Universidade de Caxias do Sul
http://www.ucs.br/LaVia/sdp.html
As informações e os dados, obtidos por meio de registros dos ambientes e entrevistas com os alunos, foram analisados, de forma a identificar a potencialidade dos recursos e outros aspectos que, de alguma forma, podem interferir no processo de aprendizagem. Essa análise procurou, também, identificar as ferramentas e programas computacionais mais adequados para a construção de ambientes virtuais de aprendizagem.
3. Primeiros resultados inferidos com base nos dados analisados
Tem sido realizada análise dos ambientes programados tendo como base os pressupostos teóricos epistemológicos e psicopedagógicos construtivista interacionista. Essa análise é realizada de forma compartilhada pelo grupo de pesquisadores tendo procurando entender como ocorre a aprendizagem nos ambientes desenvolvidos, identificando dificuldades e obstáculos referentes ao uso das ferramentas, as concepções prévias dos alunos e outras variáveis que interferem no processo de aprendizagem. Os dados coletados para essa análise são obtidos por meio de registros no ambiente e pela observação e entrevista realizadas pelos professores pesquisadores ou seus bolsistas junto aos alunos.
O resultado dessa análise serve de base para aperfeiçoamento dos ambientes e criação de novas e diferentes estratégias de aprendizagem. Paralelamente às análises são realizados estudos teóricos que orientam e auxiliam nesse processo. Para esse trabalho a orientação da pesquisadora do departamento de Educação é fundamental no sentido de avaliar os aspectos pedagógicos e toda rede de variáveis que compõe o ambiente virtual de aprendizagem. Numa primeira organização e sistematização, os aspectos identificados estão relacionados a:
• Alunos que não lêem e nem pensam no que estão fazendo: muitas vezes simplesmente sugerindo que relacionem o que lêem, com o problema a ser resolvido, a dificuldade é sanada;Considerando os resultados obtidos, parece ficar claro que para programar ambientes virtuais de aprendizagem, não é suficiente disponibilizar páginas na web com recursos e ferramentas. É fundamental mudar a cultura e a concepção de professores e alunos em relação ao processo de ensino-aprendizagem. Também pode ser dito que os ambientes, em alguns casos, não continham problematização suficiente para permitir interações. Esse estudo indica a necessidade de desenvolver, previamente, atividades que permitam o desenvolvimento de habilidades de autoestudo, interpretação de textos, reflexão (metacognição), para os alunos e sugere questões do tipo:
• Concepção de aprendizagem do aluno: em geral acredita que aprende assistindo ao que o professor faz;
• Dificuldades dos alunos em expressar, por escrito, dúvidas ou problemas encontrados, elaborando de forma organizada, suas percepções, dificuldades e concepções;
• Falta de habilidade dos alunos para lerem e interpretarem os hipertextos disponíveis nos ambientes, e a partir daí deduzirem maneiras de resolverem problemas;
• Dificuldades dos alunos em relacionar o que está sendo estudado com outros conceitos já estudados (ancoragem);
• Dificuldades dos alunos em avaliar se um resultado obtido pelo processamento de um software está adequado ou correto;
• Dificuldades dos alunos em interagir com os colegas, examinando e analisando os resultados obtidos, com base na teoria estudada;
• Falta de organização, por parte dos alunos, de agenda de estudo;
• Dificuldades dos alunos em lidar com a Internet e seus recursos, como formulários e correio eletrônico;
• Flexibilidade para programar horários de estudo, fator relevante, na nossa realidade de alunos que trabalham;
• Ferramentas disponíveis: não foram suficientes ou adequadas para propiciar a interação e colaboração on-line, entre os alunos;
• Realização de tarefas de aprendizagem propostas: foi constatado que os alunos se reuniam em grupos, presencialmente, para estudos e realização dessas tarefas.
• Como programar a exploração de textos (exploração livre dos alunos, ou programada pelo professor) a fim de que os alunos interajam com o texto (objeto de conhecimento), com o professor e com os colegas?De um modo geral pode ser dito que:
• De que forma um hipertexto estruturado, permite o desenvolvimento de habilidades e competências e pode apresentar problematizações para desequilibrar e fazer o aluno pensar?
• Como propiciar o desenvolvimento de esquemas mentais de autonomia e organização pessoal para o aprender a aprender?
• Quais estratégias auxiliam na ancoragem ou resignificação, possibilitando que o aluno relacione o que já sabe com o novo conceito que está sendo introduzido?
• Quando o aluno lê um hipertexto, faz os exercícios e as tarefas propostas ele está aprendendo? Construindo conhecimento? Apenas cumprindo tarefas?
• Que situações-problema, estudo de casos, pequenos projetos podem ser concebidas de forma a desenvolver no aluno a capacidade de pensar no que está fazendo, inferir com base em informações da teoria e elaborar sua própria concepção a cerca do que está estudando?
• Como realizar avaliação, num ambiente virtual de forma que ela seja um instrumento de reorientação de tarefas e de planejamento de orientação, e não apenas um instrumento de classificação e aprovação ou reprovação?
A Informática e suas ferramentas têm oferecido meios para desenvolver ambientes que promovam a aprendizagem, mas a tecnologia digital em si, não é solução para os problemas de aprendizagem que permeiam a realidade educacional contemporânea. Ou seja, não é suficiente virtualizar informações ou aulas presenciais, com o intuito de estar desenvolvendo ambientes virtuais de aprendizagem, ou fazendo educação à distância. Ambientes virtuais ou presenciais não são excludentes, mas complementares, uma vez que o foco da questão educacional é a mudança de paradigma e não a forma de desenvolver a aprendizagem. Os ambientes virtuais podem constituir elementos de apoio para uma mudança de paradigma educacional
Diante dos resultados obtidos, ainda que parciais, a partir da análise dos dados coletados nas experiências realizadas, os ambientes estão sendo modificados e aperfeiçoados a fim de continuar a pesquisa pretendida. Os aspectos enfatizados nessa fase dizem respeito à:
• Interação on-line como elemento de cooperação na construção de conceitos;
• Hipertexto, como fonte de informações e problematizações;
• Intervenções do professor e estratégias de aprendizagem em ambientes virtuais de aprendizagem;
• Aspectos geográficos: o perfil dos alunos nas diferentes áreas geográficas
• Plataformas educacionais: o Learning Space como software de apoio para criação dos ambientes de aprendizagem;
• O acompanhamento do desempenho dos alunos e sua interação nos ambientes desenvolvidos;
• Estudos e revisão bibliográfica, como fonte de fundamentação teórica necessária para analisar os dados coletados e criar estratégias pedagógicas adequadas ao contexto teórico do projeto;
• Interação com outros grupos de pesquisa compartilhando aprendizados, estudos, conhecimento e dificuldades;
• Gerenciamento de listas de discussão com alunos, como forma alternativa de interação e cooperação (comunidades de aprendizagem, no sentido de Lévy: inteligência coletiva);
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